Wednesday, December 29, 2010

Clichê pouco é bobagem II



- Fim de ano já, heim?
- Como passa rápido, parece que o ano começou ontem!
- Nem me fale. E quando a gente percebe... já é dezembro.
- E os planos pra virada? Vai descer pra praia?
- Vou sim, Praia Grande. Descemos amanhã, vai a família inteira. Ou quase inteira. Sabe como é, os filhos vão crescendo. Um mora longe, outro não pode vir... difícil conciliar.
- Eu vou descer com a família também. Mas vamos na véspera. Sabe como é, um trabalha, outro tem compromisso não sei onde... difícil conciliar.
- Cuidado pra não passar o ano novo na estrada. Todo ano tem gente que fica na estrada.
- Vira essa boca pra lá. 
- Mas diz aí, e 2011? Muitos planos?
- Os de sempre. A gente começa o ano cheio de promessas, mas duram no máximo até o carnaval. 
- Se bem que o ano só começa depois do carnaval, não é?
- Ah, só. Brasileiro é fogo. 
- De todo modo, desse ano não passa. Vou perder uns quilinhos que tô precisando.
- Não vá exagerar na ceia.
- E quem não exagera? Só comida calórica. Mas depois da ceia é fechar a boca.
- Opa, olha a hora. Deixa eu ir que estou atrasado. Um feliz ano novo para você, com muito dinheiro no bolso!
- Obrigado, igualmente. E  muita saúde, que é o mais importante. 
- O resto a gente corre atrás.

Tuesday, December 28, 2010

Erro #VALOR!



No Banco do Brasil, quase de saída:

- Mais alguma coisa?
- O meu cartão. As máquinas não têm reconhecido a senha.
- Frequentemente?
- Não muito. Uma em cada 10 vezes, imagino.
O caixa joga os dados no Excel mental, função divisão, e decreta:
- 1% apenas. Você deve ter digitado a senha errado.


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Thursday, December 23, 2010

Government-end thought


In the public service, every unfinished project is like a skeleton hidden in the closet. One day (and this day WILL come) they'll come alive to haunt you.

UAAHAHHAHHH! UAAHAHHAHAHA! (Thriller laughter)

Em-tempo blog wishes you a merry transition and a happy new year.

Tuesday, December 21, 2010

No Aquarela


Ontem, na hora de pagar. A atendente do caixa estava mais irritada que o de costume. Pensei que poderia aproveitar a ocasião para fazer um pequeno experimento behaviorista: tentaria transmitir a ela o máximo de calma possível, na esperança de observar alguma mudança de comportamento.
Chegou a minha vez. Perguntei educadamente em quanto ficou o almoço e contei o dinheiro na frente dela, sem pressa. Pedi o café-cortesia (que ela obviamente não tinha oferecido) e falei o número do CPF bem lentamente, a voz pausada e baixa. Ela estendeu o braço para entregar a nota, deixei que esperasse dois ou três segundos.
Agradeci e saí devagar, apreciando o resultado da minha influência.
Não funcionou, ela tava em outra vibe. Acho que a irritei.



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Monday, December 20, 2010

GPS Adventure


Semana passada eu tinha um compromisso em um lugar onde não fazia a mínima como chegar. A solução foi emprestar o GPS do meu pai enquanto não crio vergonha para comprar um próprio. Funcionou a contento nas ruas da metrópole, o que me encorajou a testá-lo novamente no caminho de volta. Queria apenas acompanhar o trajeto na telinha, pois raramente me perco para chegar em casa. Digitei o endereço de sempre e veio a pergunta: “Pedágios no caminho, deseja evitá-los?” Duas opções na tela: SIM ou NÃO.
Pensei um pouco, fiquei em dúvida. Evitando eu pago menos, mas posso ir parar em alguma quebrada e me tomarem mais que os R$5,80 que a moça da cabine me rouba toda semana. Enquanto pondero, o GPS cobra a resposta novamente. “Pedágios no caminho, deseja evitá-los?”. Quer saber? Topo, por que não? Vamo caí pra dentro.
Virei à direita e entrei na gloriosa Barueri. Contornaria umas 15 rotatórias até que, enfim desnorteado, o satélite conduziu-me sorrateiramente à zona rural. O problema é que o GPS do meu pai parece ter sido configurado para o modo Adventure. Fui direcionado para uma estrada paralela à Castelo, mas logo notei que o paralelismo não se limitaria à estrada. Era todo um mundo paralelo onde asfalto era terra, prédio era mato, cachorro era vaca e acostamento era pista. A sinalização também mudou bastante. No lugar das placas monótonas anunciando radares, pedágio e trânsito lento, avisos intimidatórios: “cruzamento perigoso”, “ponte estreita”, “curva fechada”. Confesso, porém, que não foi a via perigosa ou a possibilidade de um assalto o que eu mais temi. O medo que dá de seguir cegamente uma máquina é chegar em um rua sem saída e ouvir da voz: “Desculpe, me enganei. Eu tinha certeza que era por aqui”. 
Felizmente, não foi o caso. Meia hora (e cinco quilômetros) depois, estava eu de volta à Castelo. 
E sem pagar pedágio.

Friday, December 17, 2010

SP Underground III


Voltando para casa, vagão lotado. Não há privacidade em um transporte coletivo, o que não impede as pessoas de seguirem com suas atividades particulares. Alguns compartilham a leitura de livros. Quem resiste a dar uma espiada no título? Checar se confere com o estereótipo instantâneo de quando se bate o olho em alguém; outros falam ao celular para que todos fiquem sabendo das suas vidas. Há os que escutam música tão alto nos fones de ouvido que dá para surpreender o passageiro ao lado cantarolando junto.

Pois estava eu, ontem, em pé no vagão. À minha frente, sentado, um senhor com seus 50 anos mexia no celular. Jogava um jogo qualquer. Não entendi as regras, mas pela velocidade e concentração com que jogava algo me dizia que presenciava um momento especial. Algo próximo a um recorde mundial, ou coisa do tipo. Os dedos voavam pelo teclado, invisíveis de tão rápidos. Passava as fases com uma destreza que só se adquire à custa de horas diárias em trânsito. Olhei em volta. Os demais passageiros também acompanhavam a performance do senhor. Estivéssemos em um galeria de fliperama e teria formado um tumulto em frente à máquina, como nos filmes de cinema. 
A minha estação chegou, desci lamentando. O metrô nunca rende uma história completa. 

Monday, December 13, 2010

O carregamento fantasma


(uma história verídica, desenvolvida)

Três semanas foi quanto demorou. Dirão que faltou-me rigor quando da primeira avaliação. Que me precipitei. Insisto, porém, que o relato é justo e procedente. Foi uma fatídica noite de tempestade, com os raios cruzando o céu em fúria. Não poderia dizer que eram excessivamente ruidosos, ou que a noite era escura como nunca antes. São Paulo é barulhenta demais para que se escute; e iluminada demais para que não se enxergue. Mas eis que tudo mudou, e as características da cidade foram consumidas num átimo.

Shkazaaaaaam!!!!!!!!!!!!

Encontrava-me descendo a escada quando aconteceu. Parei de súbito, por reflexo e precaução. Nada mais se enxergava. Ouvia-se, porém (embora teria preferido que permanecesse o silêncio). No instante em que o bairro apagou, atingido pelo raio, da janela do apartamento partiu o ruído medonho de eletricidade se debatendo. Durou pouco. O bastante para garantir que se passaria a noite às escuras.
Com atraso, desliguei os eletrônicos da tomada.  O blecaute forçado terminou com as opções de estudo ou entretenimento, e havia muito pouco o que fazer àquelas horas da noite. Sendo assim, era natural que dormisse com alguma facilidade. O ritmo é outro sem energia (o que de modo algum é uma constatação negativa. Passado o lamento inercial, percebe-se como é saudável o retorno à idade da pedra).
No dia seguinte, o saldo da orgia elétrica: carregador do notebook queimado. Liguei o computador esperançoso, e o pensamento positivo pagou dividendos: sem avarias. Restavam 2 horas na bateria, e devo dizer que as usei com rigor sem paralelo. Email da Alinne Moraes? Ela tem meu celular. Pedido pessoal do governador? Vai ter que esperar.
Durante as semanas que se seguiram, o ritmo frenético do trabalho fez com que o tempo passasse e eu não tivesse oportunidade de resolver o problema. Garantia cobre raio? “Não, só se você acionar a concessionária”. Imaginei o trabalho de se acionar uma concessionária por tão pouco. Cotei o preço do carregador: 300 malandros. Como é caro! Liguei na Apple: não achei em nenhuma loja. A resposta deles, numa interpretação livre: “foda-se”.
Foi quando, com as esperanças se esvaindo feito palmeirense em fim de campeonato, um momento de desespero fez com que eu empreendesse a menos lógica das intervenções. Recordo-me do sentimento. Os pensamentos que me tomaram de assalto. O ingênuo otimismo com que resolvi fazer o que fiz. Segurei a peça queimada e a chacoalhei no ar. Duas ou três batidas de leve, seguidas de um olhar desafiador. Diria algumas palavras mágicas se as soubesse. Pronto. Liguei o carregador na tomada e aproximei o plug do notebook. A luz verde do carregador acesa foi para mim um momento de genuíno espanto. Não experimentaria surpresa maior desde a queda das torres gêmeas. O notebook em pleno processo de carregamento. E tem sido assim desde então. Testemunha diária do milagre elétrico.

Thursday, December 09, 2010

Pré-postagem


Tenho sido alvo de pré-ataques a respeito do futuro do meu time, terceiro colocado no Campeonato Brasileiro. Tudo porque o Corinthians vai ter que disputar a chamada “Pré-Libertadores˜. Mas, oras, que diabos é uma pré-Libertadores? Isso não existe. Aos secadores de plantão, um aviso: já estamos no torneio. Apenas teremos de cumprir a formalidade de enfrentar o time do Colômbia 3. É nóis de novo ano que vem. Correria.
Aproveitando o ensejo, o teor das mal-humoradas afrontas recém-lançadas contra o Timão fez com que eu pós-lembrasse de uma expressão análoga (e igualmente absurda) - desta vez referente às exibições nas salas de cinema. A “pré-estreia". Não é difícil ler no jornal: “O FILME X estreia nesta sexta, com pré-estreia quinta”. Pura contradição entre termos. Percebam pela análise deste singelo exemplo, caros anticorintianos, como é falacioso vosso argumento.
Vai Corinthians, rumo ao bi-mundial!

Esta postagem não seria tecnicamente viável sem a consulta às novas regras ortográficas sobre o emprego do hífen. Obrigado. Agradecimentos especiais também ao Iarley, nosso pseudoatacante. 

Sunday, December 05, 2010

Sem palavras


Certa vez comecei um conto de Natal, que ficou inacabado. Lembrei dele neste fim de ano e resolvi que era hora de terminá-lo. Não era especialmente bom, mas, para quem não sabe, a segunda visita a um texto antigo faz milagres. Sem contar que o prazer da edição é, para mim, muito mais saboroso que o da própria criação - que é sempre um tanto sofrida. Qual não foi a minha surpresa quando não encontrei a história em lugar algum. Nenhum dos computadores que usei nos últimos anos: o velho note CCE, o desktop de casa, o Macbook. Nada.
Considerei, por um breve momento, recomeçá-lo. Logo desisti. Um texto nunca sai igual, não importa que seja escrito pela mesma pessoa, que parta das mesmas premissas ou que conte a mesma história. Pode ficar parecido, mas mesmo essa garantia é frágil.  E se vai sair melhor ou pior, nunca se sabe. Especialmente porque a escolha das palavras nunca é a mesma. Depende do humor, da inspiração e de uma série de mecanismos desconhecidos que operam quando se vasculham as profundezas do subconsciente à procura da construção perfeita. Porque quando a gente vai pescar palavras nunca sabe qual vai morder a isca. Às vezes vêm umas bem xexelentas. Aquelas que a gente pega, olha e devolve. Mas vez por outra vem à tona uma palavra dourada. Ela chega se debatendo toda, dá trabalho. Mas se encaixa como se tivesse nascido para exibir-se naquela sentença. E é esse o segundo melhor momento de um escritor.
De qualquer forma, é melhor eu esquecer o tal conto. Hoje o mar não está para peixe.

Thursday, November 25, 2010

Sob nova direção


O resultado trimestral abaixo do esperado por parte do conglomerado Kiloucura não passou despercebido no mercado. Manobra arrojada articulada por dois grandes players ligados ao setor de restaurantes (o fundo de pensão Elite Mineira e a offshore Jardim Paulista) adquiriu participação majoritária no emprendimento sino-brasileiro. O novo grupo terá participação de mercado superior a 80% nos títulos de alimentação emitidos pela Secretaria de Planejamento. Julien Roger Aquarela, presidente do Restaurante Aquarela, ameaça submeter a aquisição ao CADE. "A compra do Kiloucura traz desequilíbrio ao mercado e inviabiliza os restaurantes de menor porte. Assim não dá, assim não pode". Na contramão do Ibovespa, as ações do Kiloucura (KILO4) dispararam nesta quarta com os primeiros rumores da formação de um mega-conglomerado.
Alheio à turbulência do noticiário econômico,o Kiloucura abriu as portas normalmente durante a semana. A casa passa por mudanças, e um novo chef foi contratado para assumir a cozinha. A promessa é de manutenção da política de preços, acompanhada de inovações no cardápio. Cartaz afixado na entrada promove para esta quinta-feira a estreia do "Gordon" Bleu - peito de frango recheado inspirado no personagem Flash Gordon.


For further references, Guia de Restaurantes

Thursday, November 18, 2010

Clichê pouco é bobagem


 Reencontro expresso.

- Olá meu caro! Quanto tempo... Como vai a força?
- Quanto tempo mesmo, nem me fale! Tamo correndo atrás, né.
- Faz bem. Não tá fácil pra ninguém, é ou não é?
- Ah, é verdade. Agora com a globalização tem que matar um leão por dia.
- Tem razão. E se não tá fácil pra gente, imagina pra classe média!
- Bom, eu preciso ir que amanhã começa tudo de novo. O tempo voa!
- Manda um abraço pra todo mundo.
- Claro que mando. Apareça qualquer dia!

Thursday, November 11, 2010

Repeat, please



Facebook, gastando o vocabulário na divulgação da ferramenta que localiza... amigos.


"Francisco, mais amigos estão esperando o seu convite. Esses 10 amigos encontraram amigos através do localizador de amigos. Você já encontrou todos os seus amigos? Experimente."


logo abaixo, para completar, o botão "Localizar amigos˜.

Monday, November 08, 2010

Põe na conta


Porque futebol também é responsabilidade fiscal.

Na padoca


Comprando sorvete de massa, daqueles potes pequenos, na padaria perto de casa. Sou atendido no caixa pelo dono do estabelecimento.

- Quanto é o sorvete?
Não é a primeira vez que ele me pergunta o preço do que estou comprando. Dessa vez prefiro não me manifestar.
- Peraí, eu vou olhar. Esse sorvete é caro pra c***lho.
Que ótimo. Posso trocar?
- 12,80! É que hoje tinha um cliente tomando e na hora de pagar ele se assustou. Sabe, era um cara de posse até, mas se assustou.
Ah, tá.
- Eu acho muito caro, né. Porque por $15 você leva um de 1 litro. Tá bom que não é o mesmo sabor, mas é caro mesmo assim.

Paguei e fui embora, me sentindo o milionário constrangido.

Tuesday, November 02, 2010

Educação digital



Recentemente troquei de aparelho de som. O antigo mini-system substituído por um Home-Theather (cumpre as mesmas funções, e dá uma turbinada nas sessões de cinema). O impacto da troca, no entanto, não se resumiu à qualidade do som ou à versatilidade do aparelho. Depois de anos do familiar "GOOD BYE" no display do Aiwa, o Samsung novo despediu-se calado quando apertei o power. Surpreendente, porque tivéramos um começo promissor: um inédito "HELLO". Não entendi a economia. Custava cumprimentar na chegada e na saída? A pergunta me levou a outra: afinal, quem decide a etiqueta dos eletrônicos de uso doméstico? Fico pensando se a questão é resolvida em alguma reunião de criação, ou se é de tão pouca importância que o estagiário da fábrica programa o que quiser e o produto vai ao mercado de qualquer jeito - o que pode ser perigoso, abrindo espaço para  um "FUCK YOURSELF" na saída, ou um "HEIL" de boas vindas.
Também não gosto dos aparelhos que já chegam mandando um "WELCOME", ou "BEM-VINDO". Acho muito pretensioso. Parece que vão nos proporcionar uma experiência inesquecível. Pior só os celulares que deixam você escolher a própria saudação. É como se dissessem "Olha, não estou nem aí, não quero perder meu tempo pensando no que dizer. Escreve o que achar melhor". E assim nasceu a auto-saudação.

No vídeo, a pertinente "Hello, Goodbye" dos Beatles.

Friday, October 29, 2010

Drop shot


Sempre enxerguei o tênis como metáfora da vida, e talvez venha daí minha fascinação pelo esporte. As nuances técnicas e táticas do jogo, imperceptíveis ao leigo, só se comparam ao opressivo desafio psicológico que é um torneio de tênis. Um contra um, você e o adversário. Ninguém para culpar pelo fracasso; ninguém para dividir a glória. O esporte é o elogio do mérito levado ao extremo, e as modalidades individuais sua expressão máxima.
Mas, enfim, não quero me deter demasiado na descrição do tênis. Esta semana acompanhei dois dias de jogos da Copa Petrobras, no clube Harmonia, em São Paulo. Durante as disputas, e em meio à torcida na arquibancada, um golpe do jogo me chamou a atenção de um modo inusitado, que suscita paralelos com inúmeras situações da vida. O golpe é a deixadinha, ou drop shot. Um movimento ousado em que o tenista, ao invés de aplicar sua força máxima no golpe, apenas bloqueia a bola com a raquete e a faz cair mansa do lado da quadra do adversário. Pertinho da rede. Bem lenta. Hu-mi-lhan-te-men-te lenta. O golpe parece difcíl e arriscado – e é, na maior parte das vezes. O que chama atenção numa jogada dessas é a reação da plateia. A deixadinha, quando bem executada, surpreende. Admira. Vai-se ao delírio, exaltando o talento e a audácia do jogador. O erro, porém, invariavelmente é percebido na medida oposta. “Não era a hora!”. “Que burrice, era só empurrar na paralela”. “Pra que inventar? Quer fazer o que não sabe”. Fugir ao senso comum é arriscar-se em dobro, porque não há condescendência com quem escolhe ousar. Procurar destacar-se é estar pronto a pagar o preço pelo eventual fracasso. A mediocridade nutre uma estranha predileção por ser sociável. A genialidade, um providencial descrédito pela opinião alheia.

PS: para quem se interessar pelo assunto, recomendo o Blog do Paulo Cleto. Em especial este texto, da final do Aberto da Austrália 2009, que é primoroso.

http://colunistas.ig.com.br/paulocleto/2009/02/01/hoje-e-amanha/

Monday, October 25, 2010

Thursday, October 07, 2010

O Dilema da Portaria


Passar por uma portaria produz um dilema social/moral/filosófico de suma importância: cumprimentar ou não o porteiro?
A educação pede (alguns dirão, exige) um "bom dia", um "boa tarde". Mas e se fosse você o porteiro? Gostaria de cumprimentar toda e qualquer pessoa que passasse à sua frente? Porque são muitas ao longo do dia. Sempre ocupadas. Sempre indo a algum lugar. E o porteiro lá, parado. Cumprimentando e observando. É como se apenas a ele não fosse permitido ir além daquele ponto. Ninguém o convida. Ele é só isso: um ponto de passagem - e é esse o recado implícito em cada saudação apressada.

PS: Sou só eu ou toda portaria tem um quê de Caverna de Platão?

Sunday, October 03, 2010

Voto Consciente



Da empregada aqui de casa. Espero que ela não acesse o blog...

- Beltrana, pra quem você vai votar pra deputado?
- Ah, não sei ainda. Na hora eu vou pegar do chão.

Thursday, September 23, 2010

Guia de Cafés



Depois do sucesso do "Guia de Restaurantes", e a despeito dos pedidos em contrário, é hora de avaliar parte da rede de cafeterias que serve a região da Paulista.



GIRA MUNDO- Expresso de mais alto padrão na região. O grão é de qualidade, e a moagem aproveita-o em sua plenitude. A espuma em tom avelã denota a excelência internacional do café do Gira Mundo. O atendimento é rápido e as funcionárias se amontoam no balcão. Impossível precisar quantas pessoas trabalham lá dentro. A água com gás é cortesia, e o dono não miguela: tome antes, para melhor apreciar o café, e depois, para se livrar do sabor. O que é bom deve durar pouco.

STARBUCKS- Gigante do ramo, o Starbucks tem presença internacional somente comparável à do Gira Mundo. O expresso, em si, decepciona. Amargo, passa a impressão de que está contaminado com naftalina. A semelhança de sabor com a máquina da SEP desperta suspeitas a serem melhor investigadas. Testemunhas juram ter visto dezenas de máquinas iguais às da secretaria enfileiradas nos fundos da loja. O ponto alto da casa é o ambiente: as confortáveis poltronas e a iluminação em tom pastel convidam ao relaxamento.

MÁQUINA DA SEP- Maravilha moderna, o robô barista do Planejamento sempre provoca admiração nas visitas. Café igual para todos, sem distinção de cargo, salário ou vínculo empregatício. O menu de opções é vasto, e a máquina se dá ao luxo de esbanjar, disponibilizando um perigoso chá de limão (mortal para diabéticos). Segundo o fabricante, o assustador nível de ruídos impediu a popularização da máquina, restringindo a distribuição do modelo a aeroportos, casas noturnas e Secretarias de Estado.

EMPADAS DA VOVÓ- O forte da casa são as empadas, mas o café é de boa qualidade e o preço é honesto. Em entrevista ao blog, a Vovó garantiu que dará mais atenção aos apreciadores de um bom expresso, e não será surpresa se a Casa passar a adotar o nome “Empadas e Expresso da Vovó” ou, ainda, “Empadas Expressas da Vovó” (que sempre ri do trocadilho).

KILOUCURA CAFÉ&LOUNGE- Lounge temático do aclamado restaurante Kiloucura, a decoração é inspirada no primeiro Starbucks Saigon, aberto durante a Guerra do Vietnã. Mesas e cadeiras de plástico duro, em sintonia com a fachada em amarelo e vermelho, transportam o cliente para o clima de guerra em território asiático. Os grãos torrados com alto índice de impurezas resultam em uma exótica mistura que remete ao café. Ecologicamente correto, nada é desperdiçado: sobras do restaurante são incorporadas no processo de moagem.

Tuesday, September 21, 2010

In the book - III




Mais um trecho publicado aqui. O último... E o meu predileto, aliás. Trata-se da carta que um dos personagens envia à mãe, depois de 20 anos de ausência - e que finaliza o capítulo 2.



"Cara mãe,

Desculpe-nos, a mim e a Antonieta, do longo tempo que estivemos sem lhe dar notícias. A senhora, porém, haverá de entender que o estilo de vida o qual forçosamente abraçamos nos impede que a visitemos, bem como nos constrange de manter contato freqüente enquanto não pudermos dar termo resolutivo ao mal que nos aflige.
Desde já, peço-lhe que não se assuste com o recebimento desta carta. Esteja certa de que se a contatamos depois de prolongado recesso, não o faríamos senão para comunicar-lhe boas novas – e pedir que nos auxilie a dar cabo nesta maldição a qual com freqüência nos referimos.
Estivemos, como bem sabe, a peregrinar por todo canto do mundo em busca de nosso propósito. Inicialmente era a cura que procurávamos, mas devo confessar que a escassez de informações (e o teor negativo do pouco que nos chegou) fez com que desviássemos lentamente o foco de nossas andanças. A vida em trânsito passou a acobertar os crimes hediondos que a sanha por sangue nos impôs. O rastro tenebroso de nossa passagem encheu de pânico as comunidades das quais no servimos, embora pareça claro que de modo algum tenham atinado para a verdadeira natureza de nossa condição.
A sucessão de noites em claro e dias em trevas (não faço gosto em alongar-me na descrição do que se supõe perpétuo) solidificaram em nós uma firme predisposição para a conduta vil, egoísta e inconseqüente, de modo que já nos conformávamos da nossa sorte quando casualmente encontramos nosso malfeitor.
O vampiro não nos reconheceu de imediato, apenas sabia que estava entre iguais. Foi preciso que nos apresentássemos para que enxergasse em nós o produto de uma noite fatídica em que se aproveitara da embriaguez alheia para discorrer acerca das maravilhas da eternidade. Não houve - respondo por mim, mas creio que Antonieta compartilhe do mesmo sentimento – desejo de vingança ou acerto de contas. Queríamos respostas, e não poderia haver sujeito mais capaz de fornecê-las que o nosso criador.
Entre um e outro gole do néctar que alimenta o sobre-humano vigor vampiresco, cortesia de nosso cúmplice (a vergonha faz com que prefira poupá-la das circunstâncias desta pequena reunião), surpreendeu-nos duas vezes. Primeiro dizendo haver fundamento em nossa vontade, pormenorizando o método segundo o qual deveríamos proceder. E por último, talvez resida aqui o espantamento maior uma vez que a conduta anterior é relativamente simples, revelou a mim e à minha esposa o local onde poderíamos confrontar a origem de nossa condenação.
Espero, minha mãe, poder contar com o seu auxílio. Voltaremos a Serrópolis tão logo possível. Antecipo que não retornaremos sozinhos. A tarefa que nos foi imposta carece do auxílio de nosso instrutor. Naturalmente não pretende ajudar gratuitamente, e neste ponto se faz necessária a colaboração da senhora. É provável que ainda agora esteja a caminho, como nosso enviado, preparando a nossa chegada. Procurará pela senhora, com a intenção de adquirir a residência da família. Peço-lhe que ceda, a despeito do inconveniente da mudança.Explicarei devidamente os motivos na ocasião adequada.
A propósito, nosso criador, o vampiro que irá procurá-la, atende pelo nome de Ludovico.


Ávido pela mortalidade,
Eliseo Pereira Inácio"

Thursday, September 16, 2010

Cadê o shoyu?


Hoje, no restaurante Kiloucura:

- Vocês tem shoyu?
- Oi? - funcionário novo, surpreendido pela pergunta.
- Shoyu. Costuma ficar ali em cima - aponta para o balcão.
- Não vi ele hoje, não.
- Será que ele não está nos fundos?
- Vou ver.

Voltou logo depois. Imagino a conversa na cozinha.

- O Shoyu veio hoje? Estão perguntando por ele no salão.
- Hoje não. Mas leva esse vidrinho lá pro freguês que ele vai ficar satisfeito.

Wednesday, September 15, 2010

A onda espírita e o sexto sentido



 O Espiritismo parece estar na moda, pelo menos nas telonas nacionais. Depois do sucesso de “Chico Xavier”, é a vez de “Nosso Lar”, baseado no livro homônimo atribuído ao espírito André Luiz. Não assisti “Nosso Lar”, mas posso avaliar “Chico Xavier”: o filme é médium. O cinema americano vira e mexe explora a mesma temática, embora não me lembre de que tenham recorrido à doutrina kardecista. Preferem abordá-la em filmes de terror, ou na roupagem blockbuster.
Por coincidência, este final de semana assisti “O Sexto Sentido” na TV. Não sou exatamente um estudioso do Espiritismo, longe disso - embora tenha tido, eu próprio, uma experiência possivelmente atribuível ao sobrenatural extra-corpóreo (recorde de comentários no blog: Encontro em Família). Existe, porém, um ponto que me intriga pela inverossimilhança, justamente o tema central do filme gringo: trata-se do espírito que morreu, mas não sabe que está morto.
Ora, que tipo de espírito pode ser estúpido a ponto de não perceber que desencarnou? E quanto tempo pode durar uma confusão dessa natureza? Porque no filme o personagem do Bruce Willys passa toda a trama vagando em ignorância. Posso conceber que, logo em seguida à desencarnação, possa haver uma confusão inicial: “Morri? Vou perguntar na rua. Estão me ignorando, droga. Vou pegar o carro e perguntar em casa, lá não vão mentir pra mim. Droga, minha mão não consegue segurar a maçaneta. Puxa, entrei no carro mesmo assim. Tem algo de muito suspeito acontecendo ao meu redor. E agora? Como vou descobrir se estou morto?”. Não cola. Persistir nesse tipo de dúvida por mais de 5 minutos parece caso de alma sem salvação.

Friday, September 03, 2010

in the book - II



(Trecho do livro em produção)

Preocupada como estava, demorou para que enfim dormisse. A má sorte daquele dia fez com que o sono tão custoso fosse interrompido no meio da noite, quando as velas no altar da sala já há muito haviam sido consumidas. A octogenária era dona de um sono bastante leve, e o ruído seco do que julgou serem batidas na porta da frente do sobrado foram suficientes para despertá-la. Logo constatou que a energia não tinha retornado, o que fez com que se sentasse ao lado do criado-mudo em busca do pires e das velas que ali guardava por precaução. Vestiu-se rápido, apenas o robe branco por cima da camisola de seda, e desceu as escadas com cuidado, degrau por degrau. Uma mão à frente, segurando o pires com a vela em cima, a outra se escorando no corrimão. O final da escadaria dava direto na porta da frente, que abriu sem medo nem cerimônia. Esticou o pescoço para fora. Tinha esfriado, apertou o robe contra o corpo. Olhou para os dois lados mas nem sinal de quem batera. Retomou o rumo do quarto, desconfiando dos sentidos que, a exemplo da memória, vira e mexe lhe pregavam peças. O esforço fez com que chegasse ofegante, mas a falta de ar foi saciada pela lufada de vento que soprou da janela escancarada. Inezita não se recordava de tê-la deixado aberta, e nesse ponto não temia que fosse traída pela memória, posto que não havia chances de que tivesse conseguido dormir com aquele vento cortante a perturbá-la. Enquanto se dirigia à janela, um pressentimento ruim a tomou por inteiro, de tal modo que de imediato manifestava-se fisicamente. O coração batia acelerado, a respiração se fazia pesada. Uma vertigem súbita fez com que se detivesse por um instante. Escutou as batidas de novo, iguais as que a tinham despertado, agora na porta do seu aposento. A chama da vela não podia alcançar aquele espectro indistinto do qual só se podiam distinguir os contornos, entretanto não poderia alegar que não fizesse idéia de quem era. Pôde ver quando estendeu a mão em sua direção. O tiro, certeiro, no coração, não viu.

Thursday, September 02, 2010

Mesa Redonda


Moderador: Eles são candidatos a Deputado Federal e a Presidente por partidos diferentes. Tem trajetórias distintas, e idéias idem. Conhecidos há muitos anos pela população, os dois sequer concorrem ao mesmo cargo. Por isso mesmo, com o objetivo de enriquecer o debate político sem acirrar disputas pessoais, a Produção do Blog promove a Mesa Redonda de hoje com os candidatos José Serra e Tiririca!

Platéia: (aplausos)

M: Obrigado aos dois pela presença.

José Serra: É uma honra.

Tiririca: É nóis.

M: Para começar, vamos sortear o assunto aqui na urna. Nossa secretária, a Mulher-Pêra, está sorteando. Já sorteou! (aplausos). Vem pra cá, Mulher-Pêra, me entrega esse papel. Isso, volta pra lá agora, bem devagar. Vamos seguir, então. O assunto é... (voz tenebrosa) Planejamento.

Platéia: Uuuuuuuuuuhhh

M: Candidato Tiririca, qual a sua proposta para o Planejamento? Sob o prisma de um candidato à Câmara, devo lembrá-lo.

T: Planejamento pra mim é saber montar um programa...

JS: (baixo, para a sua equipe) Ele vai falar sobre programa de TV, quer ver?

M: Programa, Tiririca?

T: É isso mesmo (ajeita o chapéu e prossegue, falando engraçado). O PPA, instrumento constitucional do Planejamento, é estruturado em programas, vocês sabem. O problema é que a ingerência política impede que as Secretarias organizem seus programas, e suas respectivas ações, de um modo eficiente e racional. É impossível implantar a gestão por resultados do modo como é feito hoje pelos Estados, sem um instrumento estratégico dotado de indicadores de desempenho e de efetividade bem definidos. Como deputado, farei um PLC que estabeleça regras claras para o PPA, e acabe com essa distorção. Atualmente é muito difícil definir se o PPA é uma peça de gestão estratégica ou uma mera lei orçamentária.

M: É...bom... Por essa eu não esperava. Candidato Serra, o senhor, como ex-governador, o que pensa dessas críticas?

JS: O PPA, Programa Plurianual.

T: Sim.

M: À vontade, candidato.

JS: Elaborado de 4 em 4 anos.

M: O senhor tem 3 minutos.

JS: Já terminei.

M: É, bom... Acho melhor mudarmos de assunto. A Mulher-Pêra tá vindo com o papelzinho aqui.

Mulher-Pêra: Esse assunto afeta muitas pessoas, como eu e você espectador.

JS: Como a Mulher-Pêra.

M: O tema é... Gestão Pública!

T: Essa eu domino.

M: Então vai você, Tiririca. Como melhorar a gestão no setor público?

T: Essa é fácil. (Começa a balançar os braços enquanto prossegue, como se estivesse dançando). Funcionários de carreira, motivados e bem remunerados. Reduzir os comissionados e desaparelhar o Estado.

M: Olha, Tiririca, até que faz sentido o que você falou.

T: Eu sou palhaço mas não sou tonto.

M: Vou aproveitar o gancho. Candidato Serra, o que o senhor fez e pode fazer para avançar nesse caminho apontado pelo Candidato Tiririca?

JS: Florentina, Florentina...

M: Candidato Serra?

JS: (Cantarolando) 45,45...

Produção: Corta! Corta!

M: É.... Vamos ficando por aqui... alguma última palavra?

JS: Vota em mim, abestado! Senão eu vou morreeeeeeeer politicamente.

(Nota do Autor: Obviamente, o encontro é fictício e tal mesa redonda nunca aconteceu. O conteúdo da conversa é ficcional e tem fim apenas humorístico)

Monday, August 30, 2010

Guia de Restaurantes - Volume I




Neste primeiro volume do Guia de Restaurantes 2010 cobriremos os estabelecimentos conveniados à “Rede de Serviços da Secretaria para Alimentação” (RSS Feed). As casas visitadas pela Equipe do Blog são as que aceitam o ticket holográfico impresso com o Brasão do Estado em três dimensões. Nunca enxergou? Desfoque a visão e vá recuperando o foco aos poucos. Nada ainda? Que pena.


Jardim Paulista – Grande hit da Secretaria no começo do ano, ainda conserva uma clientela fiel. O ambiente é agradável e as atendentes simpáticas. Recentemente adquiriu uma máquina de café. Peça pela ficha no caixa, é de graça. Não se esqueça de colocar o copo embaixo antes de apertar o botão.

Elite Mineira –  O nome é pretensioso, e o restaurante faz jus a ele. O Elite Mineira é pequeno e, como não poderia deixar de ser, elitizado. Seus clientes ficam restritos ao bem decorado segundo andar. Ou seja: é para poucos. Mesas temáticas fazem o charme da locação. Sinta-se na fazenda almoçando em grupo na mesa de madeira rústica - ou para, um clima mais intimista, recorra à mesa externa, onde o piso de grama artificial proporciona uma impensável paisagem bucólica em plena região da Paulista. Evite o horário das 11:30 – cardápio completo só a partir do meio dia.

Restaurante do Flat – Boa comida, preço honesto, ambiente amplo e limpo. Lacrado há poucos meses pela vigilância sanitária. O Buffet era bem variado, e o preço único permitia que se comesse à vontade (por sua conta e risco, como viemos a saber). Que tenha sido interditado antes do Kiloucura foi a maior injustiça desde a Copa de 50.

Aquarela – Pior custo-benefício dentre os restaurantes pesquisados. Seu ponto alto é o preço elevado. De todo modo, salva-se o churrasco. Intriga o fato do buffet do segundo andar ser igual ao do primeiro. Ao pagar, peça pela ficha do café. É cortesia, mas as moças do caixa são mal educadas.

PF da Pamplona –  Esse é roots. Padoca com restaurante nos fundos, no melhor estilo Almoce-se-puder. Pratos fartos e comida saborosa, a preços competitivos, são o diferencial do lugar. Fica a ressalva das instalações: o PF da Pamplona passa a impressão de ser insuportavelmente quente no verão. Potentes ventiladores de parede colados um no outro estão a postos à espera das altas temperaturas. Cuidado: ligar todos na potência máxima pode fazer com que o restaurante inteiro levante vôo.

Kiloucura – Esta pérola da culinária sino-brasileira atende bem lá pra baixo da Rua Pamplona. O nome insólito e original remete erroneamente às Casas da Rua Augusta, mas não se engane: trata-se do bom e velho porquilo. Incrustado no subterrâneo de onde deveria haver dezenas de lojas de eletrônicos, o Kiloucura divide opiniões. Uns não gostam. Outros não gostam e acham sujo. Curioso porque nunca houve prova documental que sustente as queixas (vermes no alface, baratas na sobremesa ou ratos correndo pela cozinha). Ainda assim, fica a fama. O copo com gelatina é cortesia, mas seu consumo, embora opcional, é expressamente recomendável. Contém vermífugo.

(Não perca as próximas publicações: "Guia de Cafés" e "Guia de Restaurantes - Volume II)

Friday, August 27, 2010

SP Underground II


Andar de metrô causa perda momentânea da personalidade. Deveria haver um aviso na entrada prevenindo os passageiros deste mal súbito. Hoje, por exemplo, um vagão passou batido pela plataforma e parou logo na saída do túnel. Andou mais um pouco pra frente e, logo em seguida, retornou de marcha-ré.
O curioso disso tudo não é exatamente o movimento do trem, mas a reação das pessoas - antes, ainda, a falta dela. Ninguém comenta que o trem errou, ninguém lamenta, ninguém se surpreende.
Outro dia o trem ficou parado por 10 minutos na estação, cheirando queimado, as portas abertas. Os funcionários andavam pra lá e pra cá, tentando descobrir a falha. Quase ninguém deixou o vagão, fizeram cara de paisagem. Quando o trem fica parado no meio do túnel, idem: indiferença total. Nem a falta de oxigênio em um ambiente claustrofóbico é suficiente para que se fale alguma coisa. Fico imaginando qual o nível de tolerância dessas pessoas. Será que depois de uma hora parados comentariam entre si que o trem parou? Nessas ocasiões, sinto-me no filme Resident Evil. Os zumbis do cinema são agressivos apenas contra os seres humanos. Quando entre eles comportam-se mais ou menos como num desembarque na estação da Sé: autômatos, olhar perdido, vagando em manada.
Parece que nada é realmente capaz de perturbar um usuário do metrô. Dizem que certa vez, na década de 80, um Alien cruzou velozmente toda a extensão do túnel, perseguido por um Predador. Ninguém se incomodou nas plataformas.

Tuesday, July 20, 2010

in the book



Trecho do livro em produção. Nesta passagem, um dos protagonistas está preso acusado do assassinato da avó.

O choro de um homem feito é, quase sempre, tão ou mais deprimente para quem o presencia quanto para aquele que verte as lágrimas. Caio Túlio, num último esforço de dignidade, ao menos não soluçava, nem assoava o nariz com estardalhaço – o que seria compreensível, embora depusesse contra sua força de caráter. Chorava escondido sentado no chão, com as costas apoiadas contra a parede rebocada da cela que tinha o privilégio de ocupar sozinho - denunciado apenas por um e outro soluço ou fungada mais fortes os quais fracassasse em disfarçar. No xadrez ao lado, dois ladrões de galinha, pés-de-chinelo, roncavam pesado. Compunha com eles a totalidade da população carcerária de Serrópolis.
Quer chorar, chora na cama, que é lugar quente, provocou o carcereiro apontando para o leito de concreto sem colchão, tão frio quanto o piso da cela. Não debochava com a intenção de humilhar o detento, como pareceria a qualquer espectador mais sensível. Queria puxar papo, iniciar uma conversa amistosa. A brincadeira servia para deixar claro que não se abatia com o choro de Caio Túlio a ponto de calar-se em respeito.
Não foi você, não é? Como disse? – enxugou as lágrimas na camisa encardida, surpreso porque o carcereiro nunca tivesse lhe dirigido a palavra. A sua avó, não foi você quem matou. Por que diz isso? Conheço o tipo, o dos matadores, respondeu enquanto acendia um cigarro e o trazia à boca. A fumaça espessa das baforadas desenhava figuras no ar sob o brilho da lua cheia, que invadia quadrada a escuridão do cárcere. Fui um deles, confessou, arrastando para próximo das grades o banquinho de madeira de onde vigiava os presos. Matou um homem, então? – quis saber Caio Túlio, reconfortado sem saber por quê pelo passado criminoso do sujeito com quem conversava. Homem? Quem falou em homem? Tragou forte e pôs o cigarro de lado, enjoado. Passarinho. Sabiá, pica-pau, joão-de-barro... Me deu um problema com a Justiça que nem queira saber. Posso imaginar, rebateu o empresário, enterrando a cabeça sob os braços dobrados na altura do joelho.
Bom, mas eu dizia que não foi você, retomou o assassino ecológico. O problema, seu problema, é que convencer a mim não serve de nada. Cá entre nós, até o delegado, reservado que só ele, disse ter certeza de que foi você. Não sabe como me anima, balbuciou em resposta. A maneira como te encontraram, sabe, foi muito próxima do flagrante. Além do que não existe outro suspeito. Olha, te digo como amigo, para o sistema aqui, olhou em volta como se contemplasse com o gesto a Polícia e o Judiciário por inteiro, você já foi condenado.
As lágrimas escorreram novamente pelo rosto de Caio Túlio. A conversa com o prolixo doutor Penteado não tinha sido promissora, e agora o carcereiro, em sua simplicidade, escancarava sua real situação sem rodeios ou eufemismos. Engole o choro, não estou aqui pra te animar. Aproximou um pouco mais o banquinho da cela e segredou, maroto: Vim pra te ajudar. Que bela ajuda você pode me dar. Não desdenha, homem, parece que não tem noção da enrascada em que se meteu. Noção tenho, plena, mas não me leve a mal, vai me ajudar enquanto carcereiro ou matador de passarinho? Olha, não me subestima rapaz, eu nem devia te ajudar, só o faço por justiça. E dívida. Primeiro porque estou convencido da sua inocência, e depois porque devia a seu pai, Seu Eliseo, e nunca pude compensá-lo em vida. Ajudar o filho deve servir.
(...)

Tuesday, July 13, 2010

Aeromodelo



Este é o Taranis, aeronave de combate não-tripulada e remotamente controlada, apresentada ontem pelo Reino Unido. O design e o conceito são revolucionários, o que fez com que a notícia repercutisse no mundo todo. Representantes de exércitos ao redor do globo foram surpreendidos pelo invento inglês. Correspondentes internacionais colheram declarações em off de alguns generais de alta patente:

Portugal: “Já estamos desenvolvendo o nosso modelo de longo alcance, ora pois. Só falta aumentar o tamanho do fio.”
China: “Acho que dá pra fazer em plástico."
Paraguai: “Estamos aguardando a versão chinesa”.
Brasil: “Bonito, heim... Dá pra licitar?”.
Irã: “Já estamos desenvolvendo o nosso, mas não vamos mostrar pra ninguém.”

A notícia repercutiu também entre a ameaçada classe dos pilotos de caça. O presidente da Central Única dos Pilotos Unidos (CUPILUDO), Ronald Mcdonald Douglas, classificou como um “absurdo” não se reservar espaço no avião para um cockpit com piloto, mesmo que este não dirija a aeronave. “Os pilotos precisam do emprego. Se forem demitidos vão trabalhar onde? No Esquadrão Classe A?”. McDonald foi além. Segundo ele, é preciso garantir a segurança dos acompanhantes desses aviões controlados à distância, com assentos ejetáveis e estrutura reforçada. “Todas as medidas de segurança precisam ser observadas, do contrário seria uma loucura. Também lutaremos pelo adicional de periculosidade”.
A indústria do videogame não perdeu a oportunidade, e deu seu pitaco no projeto inglês. O gerente de produto da CEGA, Todyoro Nagrana, foi objetivo: “Se ninguém mais vai morrer nas batalhas, e vai vencer quem for mais hábil no joystick, então para que construir efetivamente o avião? Dá para resolver tudo numa lan-house".

Saturday, July 10, 2010

Pedido Expresso


No Black Dog, sem direito a perguntas.

- Quanto é o cachorro-quente simples?
- 5 reais. (registra)
- E o tradicional?
- Cancelo o simples? (chama o mestre dos caixas)
- Eu não tinha pedido ainda, era só uma pergunta.
( Pedido cancelado, em silêncio registra o tradicional )
- E o simples duplo, quanto é?
- (para o chefe) Ele mudou de ideia de novo, quer o simples duplo agora. Cancela pra mim?
- ?! Mas eu não...
- 6 reais. Dinheiro ou cartão?

E depois ainda veio o lanche errado.

Tuesday, July 06, 2010

Do Fracasso

 

O filósofo Sponville escreveu que “a busca da felicidade é a coisa mais bem distribuída do mundo”. Deve ser verdade. Parafraseando o francês, também parece verdadeiro que o fracasso é a “segunda coisa” mais bem distribuída no mundo. Sucesso e fracasso são ditos faces de uma mesma moeda, o que de modo algum procede, porque o segundo é onipresente, enquanto, o primeiro, privilégio efêmero de alguns poucos. Juntando uma e outra frase, o pensamento e sua paráfrase, parece saltar aos olhos um pessimismo fatal. Absolutamente. Há uma falsa dicotomia entre as orações, análoga à da comparação com a moeda. A desgraça e o triunfo são ambos impostores, e não renhidos rivais. Não obstante, este último raciocínio (o da falsa dicotomia) é, além de verdadeiro, reconfortante, e, portanto, otimista - pois de outro modo seria improvável atingir a felicidade através do sucesso, e a tão bem distribuída busca resultaria no mais retumbante e universal fracasso.

O poema “Se”, de Rudyard Kipling, e seus versos expostos na entrada da quadra central de Wimbledon:

"Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
(...)
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!"



Texto dedicado à Seleção Brasileira na África, que ao contrário da de 2006 caiu honrando a camisa.

Thursday, July 01, 2010

DDC, Distúrbio de Déficit Cultural


Em minhas últimas discussões culturais, ao trabalho e entre amigos, tenho percebido que passei a sofrer de DDC, e o quadro é sintomático: leio muito pouco, e do que leio esqueço grande parte. Invejo quem se recorda da trama e dos detalhes de romances que leu há anos. Dos filmes nos quais determinada atriz atuou. Das teorias sustentadas por x ou y filósofo.
O diagnóstico do distúrbio é nebuloso, e via de regra descamba para a subjetividade. Depende, ainda, do seu círculo de amizades e exercício profissional. Outrossim (taí uma boa palavra, mas que não quer dizer nada), aí vão alguns pointers para você diagnosticar o seu. Leia a lista e veja se você se identifica. A ANVISA adverte que duas ocorrências bastam para identificar o DDC. Três ou mais configuram Síndrome – a SDC. Pode ser o caso de se consultar na biblioteca mais próxima.

- Em uma conversa sobre cinema, você rebate o argentino “O Segredo de seus Olhos” com “Homem de Ferro 2”.
- Revisitar os clássicos, para você, é assistir Esquadrão Classe A.
- Numa discussão sobre a conjuntura econômica, sua contribuição se resume a “É, o mercado imobiliário está mesmo aquecido”. Não importa se o assunto é o mercado MObiliário.
- Paulo Skaf? É construtora?
- Quando se debatem as opiniões de articulistas, você só cita Diogo Mainardi ou Arnaldo Jabor.
- Bach, Chopin, Liszt e Schopenhauer. Quem é o estranho no ninho?
- Índio da Costa?! (Certo, esse ninguém conhece, nem o Serra)
- Lendo o livro: “Mas Alice no País das Maravilhas não era pra criança?”. Vendo o filme: “Mas como assim é em 3D e não é desenho? Aliás, não era pra criança?”
- “Eu li na Veja”.
- Twitter? Facebook? Não, obrigado. Já tenho Orkut.
- Citar a Anvisa não te soou estranho. E que diabos são pointers?

    ( Em breve a continuação do último post )

    Monday, June 28, 2010

    Procura-se



    CONTRATA-SE AVENTUREIRO PARA PROGRAMA DE TV. INGLÊS FLUENTE. ÚLTIMO APRESENTADOR MORREU MASTIGADO POR UMA HIENA. EXPERIÊNCIA COM ANIMAIS IMPRESCINDÍVEL DESEJÁVEL. PAGA-SE BEM.

    O diretor fez as correções necessárias e mandou que se divulgasse o anúncio. Tinham (muita!) pressa para substituir o finado apresentador a tempo da estréia.

    ( Continua... )

    Wednesday, June 23, 2010

    Impressionando

    O velho clichê da "primeira impressão que fica" não deve passar mesmo de um recurso retórico. Quantas vezes, afinal, não nos precipitamos sobre algo ou alguém apenas para mudar de ideia logo depois? O mito do primeiro julgamento talvez prospere porque não existe um meio-termo para uma primeira impressão, tampouco uma segunda chance para causá-la – e daí sua aparente definitividade. O primeiro olhar que lançamos, conquanto modificável pelos que seguem, é, via de regra, carregado de absolutismos. Sim ou não, sem matizes. Preto no branco.

    (No vídeo, uma primeira impressão difícil de apagar)

    Monday, June 21, 2010

    Encurtador de URL


    E ñ é q func. o encurtad/? Fik bem + fcil linká na net. Agora só flt dimin. os posts :)

    Thursday, June 17, 2010

    No Starbucks


    - Aceita caramelo no mocha?
    - Olha o respeito, minha filha!

    (Na foto, o mocha)

    Wednesday, June 16, 2010

    Crônicas da Copa - Do enviado à Coreia


    (Tive acesso ao conteúdo da reunião de cúpula que decidiu pela transmissão do jogo Brasil e Coreia do Norte no território do nosso adversário. Segundo um dos partícipes, as discussões foram tensas e cheias de reviravoltas, mas prevaleceu o bom senso. Ou o mal-entendido.)

    Pyongyang, ante-sala do ditador.

    Gabinete alvoroçado. Os 48 assessores particulares do líder supremo divergem. A discussão é acalorada. A corrente de Kil-Pa-Ryu sustenta que a derrota é uma vergonha, e que não deviam levar o assunto ao chefe. Ele que lesse mais tarde no diário oficial e mandasse decapitar os 34 editores da Redação, se achasse conveniente. Mi-Foo-Dil pensava o contrário. Que o comandante se refestelaria em júbilo com o feito dos guerreiros da nação, e seu bom humor iluminaria os caminhos do povo norte-coreano como os raios de sol aquecem o governo revolucionário. Talvez lançasse mísseis comemorativos. Afinal, enfiavam 0 a 2 nos pentacampeões do mundo.
    O ditador ordenara que se gravasse o jogo. Em caso de “resultado favorável”, o jogo seria retransmitido à nação. Mas que diabos era um resultado favorável? Kil-Pa-Ryu e Mi-Foo-Dil polarizavam as discussões ao redor do televisor preto-e-branco que transmitia o jogo ao vivo, capturando o sinal de uma emissora dos traidores capitalistas sul-coreanos. Quando de repente é gol. GOOOOOOOOOOLLLLL!!!!!
    Escutam o grito da sala do Grande Líder. Mi-Foo-Dil estava certo. Cada um dos assessores correu aos seus secretários, que expediram um ofício para a TV do Estado instruindo que se transmitisse o jogo imediatamente. Muito em breve as 96 vias do documento chegariam à emissora e os norte-coreanos assistiriam a mais este triunfo do regime. Precipitaram-se, porém.
    Foi o árbitro apitar o final da partida para um novo barulho partir da sala de comando, e desta feita não era amistoso. Um palavrão ininteligível seguido do telefone atirado contra a parede. A derrota honrosa, como viram, não fora suficiente. Silêncio sepulcral no gabinete. Kil-Pa-Ryu esboça um sorriso de meia-boca. Esteve certo desde o início. Morto, é possível. Mas certo.
    O líder supremo desliza um bilhete por baixo da porta.
    “TODOS OS ASSESSORES. QUEIRAM COMPARECER À MINHA SALA. AGORA.”
    Entraram todos, e quando um burro fala os outros abaixam a orelha. De costas, olhando para a parede onde havia uma fotografia do saudoso Presidente Eterno, não se dignava a encarar seus súditos.
    - Avisem a estatal que não vamos poder estar retransmitindo o jogo da seleção na Copa.
    Já era tarde, não havia tempo para desfazer o erro. Estavam em maus lençóis. E nunca é bom estar em maus lençóis na Coréia do Norte. Havia no grupo, entretanto, um exímio imitador. Kim-Ka-Gada chamou para si a responsabilidade, adotando um sofisticado estratagema que impedia o Grande Líder de identificá-lo. Imiscuindo-se entre os demais assessores, aproveita-se que o chefe está de costas e o comunica da situação, numa perfeita imitação do popular apresentador local Fals-Ton-Sil.
    - Ô loco meu, brincadeira. Precisamente às quatro e vinte e dois. Olha o que fez a besta, já mandou botar o jogo no ar, bicho.
    O tirano vira-se em fúria, medindo o grupo. A tropa de assessores está compactada naquela sala diminuta, e o engraçadinho encoberto no meio deles. Velho e doente, o ditador escuta e enxerga mal.
    - Quem ousa?! Estão todos...
    - Olha a fera aí meu. Esse monstro sagrado do cenário mundial.
    - Vou chamar imediatamente o...
    - Esse exemplo de honestidade, humildade e competência, agora no Arquivo Confidencial.
    - Aaaaaaaaaarggghhh!! Primeiro de tudo, tirem o jogo do...
    - Se vira nos 30, meu. Quem sabe faz ao vivo.
    - (...)
    - (...)

    [...]

    - Quer parar de me interrom...
    - Ô loco meu.
    - Chega, basta!! Deixem tudo como está e saiam daqui!
    - Essa reunião foi um oferecimento de ChinaInvest. Crédito fácil para ditadura socialista é na ChinaInvest.

    (O acesso à cúpula norte-coreana é bastante restrito, de modo que não pude confirmar o relato. Mas a fonte é quente.)

    Monday, June 14, 2010

    Drive-thru da fé


    Semana passada, na Domingos de Morais. Congestionamento, carros parados. Uma moça se aproxima e oferece uma oração sem sair do carro, basta passar no drive-thru da Igreja.
    É sempre muito fácil criticar esse tipo de iniciativa, ainda mais quando se tem reservas quanto ao modus operandi da congregação em questão. A reflexão espiritual demanda calma, silêncio e tempo. Não combina com um drive-thru. Mas tudo bem, a correria do dia-a-dia é mesmo uma dificuldade que não dá para ignorar. Nesse sentido, aproveito para sugerir algumas novas ideias para facilitar o seu contato com Deus:

    - Confissão on-line: chat-rooms com pastores logados 24 horas, oferecendo o que há de mais moderno em aconselhamento religioso. É conexão a serviço da confissão. (Não se esqueça de conversar no reservado)
    - Terço Eletrônico: aplicativo para i-phone. Deslize as contas com recursos de touch screen e envie seu high score para o site da Igreja.
    - Hóstia Delivery: Remissão em domicílio. 28 minutos entre a consagração e a comunhão. Ou o seu dinheiro de volta. Consulte o cardápio.
    - Sermão twitter: Os sermões intermináveis chegaram ao fim. Siga o pastor e fique por dentro dos novos dogmas da Igreja em até 140 caracteres.

    Quem tiver mais sugestões, que fale com o bispo. Ou o adicione no Facebook.

    Tuesday, June 01, 2010

    Os comerciais na Vida Real


    - Chefe, tivemos um acidente. Mandamos um carregamento de Skol pra Argentina.

    - Ih, rapaz. Faz o seguinte, você vai atrás de cada uma dessas latinhas e traz aqui de volta. Geladas. E ah, rapaz... Depois disso você passa no RH.

    Wednesday, May 26, 2010

    De como constranger um cliente


    No McDonald´s:

    - O senhor gostaria de estar doando seu troco para as crianças com câncer?
    - Não, eu sou um monstro.

    Thursday, May 20, 2010

    SP Underground


    Chego atrasado ao metrô, o que tem seu lado bom: vagões muito mais vazios. Da estação Santa Cruz até a Ana Rosa, tudo normal, assentos disponíveis... Faço a baldeação (incrível como esse termo soa caipira, parece que estou pegando metrô na roça) para a linha verde, e é onde sou surpreendido.
    Vagão vazio no sentido Vila Madalena quando, subitamente, uma horda ocupa todo e qualquer espaço livre. Mal consigo respirar, quanto mais me movimentar.
    Próxima parada: Brigadeiro, o vagão vai esvaziar, penso eu. Mas ninguém desce! Estatisticamente isso deve ser muito difícil de acontecer, a linha verde não tem muitas paradas até a Vila Madalena. Não consigo enxergar o nome das estações, e assim começo a nutrir a certeza de que embarquei no sentido contrário.
    A seguir, Trianon-Masp (será?), meu destino. Estou longe da porta, apostando no deslocamento em conjunto, mas ninguém (ninguém!) vai descer ali. Como pode? Esse pessoal trabalha onde? Tenho que batalhar minha passagem até a porta, desesperançoso de que desembarcaria na estação correta.
    Desço. Não me enganei, estava no lugar certo. Olho para os demais vagões do trem: semi-desertos, enquanto o que eu estava segue abarrotado de gente.
    E a partir daí o dia voltou à normalidade.

    Tuesday, March 02, 2010

    Os pagodeiros do gelo

    Por que diabos precisa de quatro "atletas" pra descer no trenó do bobsled?



    Saturday, February 27, 2010

    Precisão suíça


    Pedindo um lanche na padaria:


    - Por favor, um bauru e um suco de laranja. Um não, dois... Qual o tamanho do suco?

    - São trezentos e quatro ml.

    Penso ter ouvido 304. Duvido. Deve ser 340, ou 400.

    - Você disse quanto?

    - O copo tem 304 ml, senhor.

    - Hmm.... 300 então - arredondo, em desafio.

    - É... - e fez cara de contrariado, ou decepcionado. Não sei bem precisar.



    E olha que nem veio cheio até a boca.

    Monday, February 22, 2010

    No Tênis Clube

    Visita ao clube, intenção de adquirir um título (preço promocional, não estou podendo tanto). O interesse, para mim, não poderia ser outro: jogar tênis. Conheço as quadras, cinco, de saibro. Em bom estado, aparentemente, conquanto encharcadas. Como bom nerd, ainda que em fase de recuperação, peço para conhecer a sala de leitura. Com as chuvas que desabam em São Paulo religiosamente na hora em que deixo o serviço, é bem provável que eu passe boas horas naquele recinto, imagino. “A sala de leitura fica na biblioteca, é por aqui. Um lugar muito tranquilo”. A biblioteca, logo vi, não tem livros, mas troféus, em armários com janelas de vidro. Essa não foi, porém, a maior surpresa. Havia, na sala de leitura, uma horda de pré-adolescentes, meninos e meninas correndo descalços sobre o sofá, atirando almofadas, aos gritos. Um grupinho, um pouco mais velho e um pouco mais ao fundo, joga truco animadamente. Nada contra. Mas na sala de leitura?! RS O rapaz do clube constata, constrangido: “É, hoje não está muito tranqüilo, como podemos ver.” De fato.

    Saturday, February 20, 2010

    Aí sim

    Via de regra só posto produções próprias por aqui, mas esse vídeo vale a pena ser assistido:

    Thursday, February 18, 2010

    Porta automática


    19 horas, chuva torrencial na Paulista. Sem guarda-chuva, procuro refúgio no interior do Banco Real. As cadeiras são estofadas, confortáveis, e o teto de vidro permite que se acompanhe a evolução da chuva. Os minutos vão se passando e os funcionários começam a deixar o banco, de volta para casa. De súbito, para minha surpresa, a porta da frente (dessas iguais às lojas de comércio) começa a descer automaticamente, comigo do lado de dentro. É a hora da dúvida. Devo correr, jogar a mochila, atingir a rua e pegar o chapéu de volta antes que a porta desça por completo, no melhor estilo Indiana Jones? Sim, porque se fosse um funcionário do banco o responsável por tudo aquilo eu poderia argumentar para que esperasse por mim. Diante da máquina não há o que negociar. Olhei em volta, havia mais 3 funcionários ainda do lado de dentro. Ponderei que era preferível manter a compostura e permaneci sentado. A porta parou, descendo até a metade, apenas. Não passara de um aviso de que o expediente estava por terminar. É, não foi dessa vez que pude por à prova minhas habilidades de fuga.

    Wednesday, February 10, 2010

    Na Pamplona

    Essa semana, num trecho tranquilo de uma das mais movimentadas ruas da região da Paulista. Um casal, ele ao encontro dela. No caminho, desfila por entre eles uma garota de parar o trânsito. Ele não se contém, pára, torce o pescoço. Só falta assobiar, ou fazer um gracejo qualquer. À distância, antevejo a reação furiosa da namorada. Que nada... Tão logo ele se aproxima, é recepcionado carinhosamente. Olhando para a rival, ela ainda dispara: "Isso é tudo banha". Compreensiva, não?