Tuesday, October 02, 2012

O domador de motoboys

 


   Nunca entendi como se comportam treinadores de cães, domadores de leões e alguns (bons) veterinários. Existe algo indecifrável no modo como eles se dirigem aos animais que faz com que sejam obedecidos. Uma espécie de aura hipnótica capaz de protegê-los dos instintos mais selvagens. Não sei se é algo adquirido ou inato – só sei que funciona e que é um talento que eu invejo: gosto de cachorros e bichos em geral, mas a recíproca nem sempre é verdadeira. Não que seja caso de ódio gratuito: os animais parecem apenas indiferentes à minha presença.
 
   Se os bichos domésticos me ignoram, o mesmo não posso dizer de um perigoso animal da fauna urbana o qual nunca me causou transtorno: o motoboy - e a sua fêmea, a motogirl. Estou ciente de relatos os mais terríveis sobre a agressividade desta espécime – especialmente quando trafega em bando. Ocorre que nunca tive qualquer entrevero com a classe. Pelo contrário. À semelhança de um adestrador de feras, até hoje sempre fui tratado com surpreendente consideração e, creiam, gentileza. Trocas de faixa, ultrapassagens, sinal amarelo... Nenhuma discussão, até quando dei motivo. Mesmo na condição de pedestre, diga-se, as motocicletas chegam a parar para me dar passagem.
 
   Curioso, no mínimo. Agora só falta eu me entender com os taxistas...




3 comments:

  1. Cada um tem o dom que Deus dá. Talvez você devesse prestar outro concurso - pra CET - e aproveitar melhor o seu.

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  2. Kkkkk
    Não, concurso pra marronzinho ninuem merece, tenho certeza q neste caso os dons dele seriam eliminados imediatamente!!!

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