Tuesday, June 28, 2011

#fail

007 no Kiloucura. Refeição perigosa.


Treino de tênis, uma rápida aposta fictícia para apimentar a disputa. Começa com um refri na lanchonete, mas cada desafiante que entra vai subindo o cacife. Lanço um Rubaiyat, para finalizar. É o que tenho. Ouço o truco: “Dom”. 
Dom? Peço referência, desconheço. Tá lá:
"Levei minha mulher, pra causar uma impressão. Mas não deu certo, tava lá o Pierce Brosnan." "E daí?" "Daí que ela ficou olhando, ora!”



Monday, June 20, 2011

O maratonista da boca de doces



Estava na loja do meu fornecedor de bolachas enquanto o dealer contava vantagem para uma moça no caixa. Não pude deixar de ouvir um pedaço da conversa antes de pagar pelos entorpecentes (dois pacotes de Bono):

- Ontem eu quase chorei de dor. Tive que entrar na ambulância.
- Nossa! Quantos quilômetros você correu?
- 42 (quarenta e dois!!).
- Uau! Você completou então.
- Sim. Mas os últimos doze quilômetros foram muito difíceis.


Devolvi um dos pacotes à prateleira.



Sunday, June 19, 2011

Momento de sabedoria



"O futuro tormenta-nos e o passado retém-nos. É por isso que o presente nos foge."
(Gustave Flaubert)



Tuesday, June 07, 2011

Imprensa marrom


Faculdade de Jornalismo. O professor pediu um fait diver. Mas é difícil preparar uma reportagem quando você fica sabendo dela na noite da entrega. O jeito é inventar uma história, colocar a sua avó como fonte e testar os limites da verossimilhança.
Em tempo: o blog do professor que pediu a reportagem.


Cadela cruza o Estado e volta para casa

A cadelinha vira-latas Laika, de 7 anos, está de volta ao aconchego do seu lar após um longo dia de viagem solitária e mais de 1300km percorridos. De ônibus, claro. O fato insólito ocorreu na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo. Sua dona, a professora primária aposentada Jandira Camargo, 82 anos, sequer fazia idéias das peripécias de Laika quando a encontrou na porta de casa após a “breve” ausência. “Pensei que ela tivesse fugido e achava que logo voltaria, porque já aconteceu outras vezes”. Dessa vez, porém, foi diferente. Laika foi raptada pelos garotos da rua, inconformados com as sucessivas bolas de futebol furadas pela professora, e despachada para São José do Rio Preto no compartimento de cargas de um ônibus da Viação Fênix. Foram 8 horas de viagem dentro de uma caixa de papelão da Sony que passou perfeitamente por um televisor. Até começar a latir no desembarque. Os funcionários da transportadora não tiveram dúvidas e trouxeram a cadelinha de volta no mesmo caixote. De volta a Sorocaba, Laika foi solta para que encontrasse sozinha o caminho de casa. Dona Jandira nunca teria sabido da aventura da cachorra não fosse o pai de um dos garotos procurá-la para contar do crime confessado pelo filho. O pai só não esperava ser recepcionado pela cachorra.

Friday, June 03, 2011

Pequenos delírios megalômanos do cotidiano



Fui o primeiro indivíduo a recusar panfletos na rua. Comecei na região da Paulista, depois no centro da cidade, e quando dei por conta a prática já estava disseminada. Imitavam-me em todos os cantos da metrópole e, com tempo, no interior paulista - para desespero dos entregadores com suas pilhas de impressos amontoados. É bem verdade que não fui o primeiro a deixar de pegar um panfleto. Outros antes de mim o fizeram. Mas fui o inventor do "não, obrigado" e da sua variante "hoje, não". Antes havia somente os que evitavam o entregador, atravessando a rua ou andando pelo canto da calçada como se não houvesse outra alternativa. Sim, havia - e foi essa minha contribuição para a humanidade.

Thursday, June 02, 2011

¿La pregunta?



Pode sobreviver vida inteligente ao serviço público?
Com a resposta, a fera Murilo Rubião. Fica a dica.
http://www.releituras.com/mrubiao_menu.asp

Saturday, May 28, 2011

"O" manual


Acabo de ter acesso a uma espécie de manual de instruções que cobre toda e qualquer personalidade humana. E, sim, funciona. Não posso alongar-me sobre o assunto, mas devo antecipar que, obviamente:

1) Não partilharei deste conhecimento.
2) Usarei dele a meu favor.

PS: O propósito único de comunicar a descoberta neste blog é instigar o medo e a precaução em meu ciclo de convívio.

Tuesday, May 24, 2011

Joining the dark side



Mantive contato, esta noite, com tropas imperiais. Estiveram na Paulista com a Peixoto, perguntando por Luke Skywalker. 
Trabalho à parte, em conversa informal manifestaram interesse em anexar o Governo do Estado. O império paga bem, dizem, e o plano de carreira é agressivo.
No vídeo, o Ministro da Fazenda do Império conduzindo negociações salariais.


Friday, May 06, 2011

Fiscalizando

Foto da prefeitura de Taboão da Serra (fonte: Desciclopédia)


E Taboão da Serra virou notícia, enfim, com um escândalo envolvendo a Dívida Ativa do município. Sou forçado a admitir que já fui fiscal nessa aprazível cidade e, sendo assim, conheci – pelo menos de vista – boa parte dos funcionários que foram presos em flagrante.
Seja lá como for, e descontado um e outro percalço, o trabalho na prefeitura de Tabuca sempre foi muito divertido. Recebíamos diariamente muitas assombrações (contribuintes) com dúvidas as mais escabrosas acerca de assuntos filosófico-tributários. Faz a gente refletir sobre os limites da ignorância humana.
Foram muitos causos no pouco tempo em que trabalhei por lá, mas recordo-me de um em especial que ilustra um pouco da vida pacata que se leva na estância turística de Taboão da Serra.
Estávamos – os fiscais do ISS – em mais um dia de correria, matando nosso leão diário (afinal, não tá fácil pra ninguém), quando entrou um típico representante da pujante classe empresarial da cidade – um motoboy. Queria pagar um mês de impostos atrasados. Foi quando um dos fiscais-herois do município achou que convinha consultar no sistema se era aquela a única pendência do moto-empresário. Não era, obviamente. Seguiu-se, então, um breve e ríspido bate-boca que, editado, foi mais ou menos assim:


-  Agora o senhor vai ter que pagar tudo o que está atrasado.
-  Eu não vou pagar, maluco, certo?
-   Se não pagar eu vou intimá-lo.
-   Quero ver se é homem pra me intimar!


Tenho minhas dúvidas sobre o que o sujeito entendeu por “intimar˜. Mas o importante é que ele foi embora em paz e não matou ninguém na hora – o que, pelo menos pra mim, já ficou de ótimo tamanho. Acontece que para o meu colega o assunto ainda não tinha terminado, e na semana seguinte ele achou que tínhamos que entregar efetivamente a intimação ao munícipe, no endereço que constava do cadastro. É claro que ele não quis ir sozinho, e chamou dois idiotas para acompanhá-lo: eu e o Boçal (apelidos foram empregados intencionalmente a fim de preservar a identidade dos personagens).
Fomos nós três e o motorista no Golzinho quadrado da prefeitura com destino a um bairro pobre de Taboão da Serra. E para um bairro da cidade ser considerado pobre tem que ser muito feio. As ruas tinham todas nomes de países africanos, o que pareceu apropriado e coerente. Era como entregar uma intimação no Iraque, só que desarmado.
Quando enfim chegamos no endereço do cadastro, no alto de um morro, só se via um portão com grades de ferro vazadas onde, idealmente, deveria haver a sede de uma empresa. Olhando através dele, em linha reta, o céu azul. Olhando através dele, e para baixo, uma escada vertiginosa dava numa casinha de alvenaria com laje. Era o tipo de lugar onde o Bin Laden poderia se esconder por anos sem ser incomodado.
Confesso que eu não estava muito animado para intimar quem quer que fosse em um lugar como aquele. Mas já que estávamos lá, não ficava bem voltar atrás. O meu amigo apertou o botão da campainha. Nada. Impaciente, apertei também. O botão emperrou e a campainha disparou. Consertei rapidamente, nunca é bom chegar na empresa dos outros incomodando.
Quando achávamos que ninguém nos atenderia, e nos preparávamos para ir embora, finalmente – e para nosso infortúnio - vimos a Besta. Ela vinha trotando em nossa direção, enfurecida, direto das profundezas do inferno. Mas a escada, como disse, era mesmo íngreme, e ela chegou exausta. Era, a besta, um cão fila do tamanho de um boi. Quando chegou no portão, o bicho mal tinha ânimo para latir, quanto mais para assinar a intimação.
Pelo que eu me lembre, foi naquele momento que demos o caso por encerrado e retornamos à prefeitura. Mais tarde, o motoboy voltaria à repartição para parcelar seus débitos. Para quem não simpatiza com a classe - e em vista dos últimos acontecimentos nos jornais - fica o depoimento pessoal: motoboy é muito melhor que vereador.

Monday, May 02, 2011

Dead!!!!!!!!!



E saíram às ruas comemorar o assassinato de Osama.
Tem certas coisas com as quais não consigo sentir empatia.
Quão diferentes são o terrorismo sádico e o júbilo da vingança?
E, mais importante: vale a pena celebrar a morte do seu pior inimigo?


Julho/2009 - cantina nos arredores de Islamabad, no Paquistão


No link, o gênio Jerry Seinfeld ensinando que a melhor vingança é viver bem. Começa em 1:21 - mas, obviamente, o clipe todo é imperdível.

Tuesday, April 26, 2011

Dos esportes semiradicais

À noite, não é difícil topar na Paulista com alguma tribo de skatistas semiradicais. 
Não consigo entender o que pode haver de emocionante em andar de skate. A velocidade é lenta, quase parando, e depende exclusivamente da força nos pés. Fora que aquela prancha no chão às vezes parece que atrapalha. O índice de acerto nas manobras gira em torno dos 12%.
O problema com o skate é que um esporte, para ser radical, precisa preencher pelo menos duas condições: altas emoções e chance de se dar mal. 
O skate só te dá chance de se arrebentar.
No vídeo, um novo esporte radical que promete altas emoções.

Saturday, February 26, 2011

Crítica Cultural



Quando alguém recomenda algum livro, filme ou música, mergulha inadvertidamente no caldeirão pulsante da subjetividade alheia, sem muita chance de sair ileso. E quanto mais ousada ou original a dica, maior o risco do caldo entornar. É por isso que deixar-se influenciar por uma crítica é como andar no escuro: a gente nunca sabe o que vem pela frente.
Desse confronto entre a opinião de um e a expectativa do outro costuma aflorar o sentimento de fracasso do crítico frustrado. Ninguém gostou da sua indicação e – pior -, ninguém dará crédito às suas próximas. É como estar aprisionado num permanente estado de suspeição, debatendo-se inutilmente na inescapável armadilha da culpa presumida. À espera de que um eventual – e improvável - futuro acerto diminua-lhe o débito.
Pessoalmente, porém, devo confessar (com humildade) que nas raras vezes em que não fui certeiro não foi a frustração da discórdia ou o receio do descrédito os sentimentos que prevaleceram no fundo de minh´alma. Não. A surpresa da rejeição alheia sempre despertou em mim um sentimento inesperado de propriedade. Como se a negação dos demais significasse tão somente que a obra eleita foi feita para mim e mais ninguém. Que há algo de meu nela e que é até bom que menos pessoas a conheçam e admirem. Mesmo porque, caro leitor, há algo nesse tipo de obra de consumo indigesto que nos expõe. E isso faz toda a diferença – para o prazer da experiência e o receio da exposição.

Aproveitando o clima de Oscar, fica a dica ao leitor: “O Discurso do Rei”, muito bom filme.

Wednesday, February 16, 2011

Damn it

Nada mais frustrante do que ter à mão o comentário certo para a plateia errada.


Monday, February 14, 2011

O abaixo-assinado


Quando mudei de escola, perto do final dos anos 90, para cursar o colegial no Objetivo, acabei indo parar no 1o Colegial F. Ficava no mesmo corredor do 1oD e do 1oE. Não era muito divertido estudar ali, com tantas brigas na sala, alunos babando, soco inglês na mochila... Tanto que começaram a fazer sentido para mim aqueles filmes no estilo “Ao Mestre com carinho”, quando um diretor sem-noção faz a limpa numa escola da periferia dominada pelas gangues. 
Cumprida a pena, no ano seguinte fui promovido para o 2oA. Enfim começaria a estudar ao lado de outros 30 e poucos nerds que tiravam boas notas e não babavam durante a aula. Numa classe dessas, o termo “turma do fundão” ganha outra conotação. São os que conseguem enxergar sem óculos.
Não é necessário dizer que os professores adoravam dar aula pra gente. Não apenas prestávamos o mínimo de atenção no que eles ensinavam, como também nossa sala era maior e mais arejada que as demais. Ficava, inclusive, em outro corredor para que não fossemos influenciados pelos animais do B para baixo. Uma espécie de apartheid letivo.
Um dos professores que gostava de dar aula pra gente era o de Geografia. Uma pena para ele que acabou arranjando treta com uma mina sangue nos olhos de alguma outra classe do corredor contrário. Acabou xingando ela de algo que realmente não me lembro, e a briga foi parar na diretoria, com os pais da garota exigindo providências. Resultado: foi demitido.  
Pouco depois, numa dessas aulas vagas que fazem a alegria da galera, uma ala da nossa turma achou que cabia fazer um abaixo-assinado pedindo a volta do professor. O documento começou a passar de carteira em carteira. Lembro-me de que, apesar de gostar das aulas do mestre, eu era indiferente à sua permanência. Ele vivia expondo os alunos ao ridículo para fazer graça, e eu temia que um dia desses chegaria a minha vez. Uma preocupação importante aos 16 anos de idade.
Pois bem. O abaixo-assinado rodou a sala e chegou no meu grupo, o do fundo, dos bad boys que enxergavam sem óculos. Fizemos uma rápida reunião para deliberar sobre o tema. Decidimos que assinaríamos, mas também acordamos que os nomes que haviam assinado até então não tinham impacto suficiente para impressionar o diretor Gilmar, figura suprema do colégio. Com o intuito único de ajudar, adicionamos por conta algumas assinaturas que certamente iriam sensibilizá-lo. Assim, o documento partiu das nossas carteiras com adesões de peso, como Nelson Mandela, João Paulo II, George Foreman e Madre Teresa de Calcutá.
Infelizmente o outro lado da sala não gostou muito da nossa iniciativa. Lembro de ter ouvidos alguns xingamentos (de bom nível, afinal éramos do 2oA) e a ideia do abaixo-assinado acabou por ali. 
Em tempo: o professor não foi readmitido.

Wednesday, January 19, 2011

Exame médico

Aguardando o médico para o exame de renovação da CNH, desde às 16:00. Na fila, de frente para a rua, 6 ou 7 pessoas. O médico chega às 17:00, apenas. Mas o que lhe falta em pontualidade, sobra em estilo: mostrando toda sua habilidade ao volante, avança com o carro sobre a guia. Na fila, o comentário: "Se ele fizer o exame tão bem quanto estaciona, estamos perdidos".


No vídeo, um dos melhores valets do cinema.



Thursday, January 13, 2011

Poesia de escritório


Clima Organizacional

No meio do corredor tinha um termostato
tinha um termostato no meio do corredor
tinha um termostato
no meio do corredor tinha um termostato

Nunca me esquecerei desse instrumento
na rotina de uma diretoria tão abafada
Nunca me esquecerei que no meio do corredor
tinha um termostato
tinha um termostato no meio do corredor
no meio do corredor tinha um termostato





Wednesday, January 12, 2011

Entrando numa fria

Em uma sorveteria do shopping Santa Cruz.

- Cobertura preta ou branca?
Fico em dúvida. Cor não é sabor, afinal. Melhor esclarecer.
- A preta é de chocolate?
- É.
- E a branca?
- Também.
Pergunta óbvia, resposta idem.
- A branca, então.
A vendedora parece desaprovar a escolha. Não se conforma.
- Mas é hidrogenado...
Hidrogenado? Parece ruim.
- E a preta?
- A preta também.
- Qual a diferença, então?
- É mais gostosa. A branca não é muito boa.
- Ok, convenceu. Pode ser a preta.

No vídeo, um diálogo que também gira em torno de duas opções. O lobo ou o coiote?


Friday, January 07, 2011

Chutando o balde


"Choveu hoje em São Paulo 28% do previsto para o mês".
Estranho. Já li e ouvi tanto esse tipo de notícia que fica difícil de acreditar.
Talvez esteja na hora de começarem a prever melhor o volume de chuvas.

Thursday, January 06, 2011

Dica cultural 2011



Inaugurando o ano, enfim.
Em 2011 vou estar me dedicando a um projeto paralelo, o que não deve impedir que eu continue escrevendo por aqui tanto quanto seje possível. Pode ser que as postagens fiquem menas frequentes, mais elas vão continuar à medida que houverem assuntos interessantes à nível de blog.
E para começar o ano numa pegada mais popular(esca) nada melhor que prestar irreverência a um novo hit do cancioneiro funk carioca.
Um prêmio para quem decifrar o duplo sentido.

Wednesday, December 29, 2010

Clichê pouco é bobagem II



- Fim de ano já, heim?
- Como passa rápido, parece que o ano começou ontem!
- Nem me fale. E quando a gente percebe... já é dezembro.
- E os planos pra virada? Vai descer pra praia?
- Vou sim, Praia Grande. Descemos amanhã, vai a família inteira. Ou quase inteira. Sabe como é, os filhos vão crescendo. Um mora longe, outro não pode vir... difícil conciliar.
- Eu vou descer com a família também. Mas vamos na véspera. Sabe como é, um trabalha, outro tem compromisso não sei onde... difícil conciliar.
- Cuidado pra não passar o ano novo na estrada. Todo ano tem gente que fica na estrada.
- Vira essa boca pra lá. 
- Mas diz aí, e 2011? Muitos planos?
- Os de sempre. A gente começa o ano cheio de promessas, mas duram no máximo até o carnaval. 
- Se bem que o ano só começa depois do carnaval, não é?
- Ah, só. Brasileiro é fogo. 
- De todo modo, desse ano não passa. Vou perder uns quilinhos que tô precisando.
- Não vá exagerar na ceia.
- E quem não exagera? Só comida calórica. Mas depois da ceia é fechar a boca.
- Opa, olha a hora. Deixa eu ir que estou atrasado. Um feliz ano novo para você, com muito dinheiro no bolso!
- Obrigado, igualmente. E  muita saúde, que é o mais importante. 
- O resto a gente corre atrás.

Tuesday, December 28, 2010

Erro #VALOR!



No Banco do Brasil, quase de saída:

- Mais alguma coisa?
- O meu cartão. As máquinas não têm reconhecido a senha.
- Frequentemente?
- Não muito. Uma em cada 10 vezes, imagino.
O caixa joga os dados no Excel mental, função divisão, e decreta:
- 1% apenas. Você deve ter digitado a senha errado.


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Thursday, December 23, 2010

Government-end thought


In the public service, every unfinished project is like a skeleton hidden in the closet. One day (and this day WILL come) they'll come alive to haunt you.

UAAHAHHAHHH! UAAHAHHAHAHA! (Thriller laughter)

Em-tempo blog wishes you a merry transition and a happy new year.

Tuesday, December 21, 2010

No Aquarela


Ontem, na hora de pagar. A atendente do caixa estava mais irritada que o de costume. Pensei que poderia aproveitar a ocasião para fazer um pequeno experimento behaviorista: tentaria transmitir a ela o máximo de calma possível, na esperança de observar alguma mudança de comportamento.
Chegou a minha vez. Perguntei educadamente em quanto ficou o almoço e contei o dinheiro na frente dela, sem pressa. Pedi o café-cortesia (que ela obviamente não tinha oferecido) e falei o número do CPF bem lentamente, a voz pausada e baixa. Ela estendeu o braço para entregar a nota, deixei que esperasse dois ou três segundos.
Agradeci e saí devagar, apreciando o resultado da minha influência.
Não funcionou, ela tava em outra vibe. Acho que a irritei.



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Monday, December 20, 2010

GPS Adventure


Semana passada eu tinha um compromisso em um lugar onde não fazia a mínima como chegar. A solução foi emprestar o GPS do meu pai enquanto não crio vergonha para comprar um próprio. Funcionou a contento nas ruas da metrópole, o que me encorajou a testá-lo novamente no caminho de volta. Queria apenas acompanhar o trajeto na telinha, pois raramente me perco para chegar em casa. Digitei o endereço de sempre e veio a pergunta: “Pedágios no caminho, deseja evitá-los?” Duas opções na tela: SIM ou NÃO.
Pensei um pouco, fiquei em dúvida. Evitando eu pago menos, mas posso ir parar em alguma quebrada e me tomarem mais que os R$5,80 que a moça da cabine me rouba toda semana. Enquanto pondero, o GPS cobra a resposta novamente. “Pedágios no caminho, deseja evitá-los?”. Quer saber? Topo, por que não? Vamo caí pra dentro.
Virei à direita e entrei na gloriosa Barueri. Contornaria umas 15 rotatórias até que, enfim desnorteado, o satélite conduziu-me sorrateiramente à zona rural. O problema é que o GPS do meu pai parece ter sido configurado para o modo Adventure. Fui direcionado para uma estrada paralela à Castelo, mas logo notei que o paralelismo não se limitaria à estrada. Era todo um mundo paralelo onde asfalto era terra, prédio era mato, cachorro era vaca e acostamento era pista. A sinalização também mudou bastante. No lugar das placas monótonas anunciando radares, pedágio e trânsito lento, avisos intimidatórios: “cruzamento perigoso”, “ponte estreita”, “curva fechada”. Confesso, porém, que não foi a via perigosa ou a possibilidade de um assalto o que eu mais temi. O medo que dá de seguir cegamente uma máquina é chegar em um rua sem saída e ouvir da voz: “Desculpe, me enganei. Eu tinha certeza que era por aqui”. 
Felizmente, não foi o caso. Meia hora (e cinco quilômetros) depois, estava eu de volta à Castelo. 
E sem pagar pedágio.

Friday, December 17, 2010

SP Underground III


Voltando para casa, vagão lotado. Não há privacidade em um transporte coletivo, o que não impede as pessoas de seguirem com suas atividades particulares. Alguns compartilham a leitura de livros. Quem resiste a dar uma espiada no título? Checar se confere com o estereótipo instantâneo de quando se bate o olho em alguém; outros falam ao celular para que todos fiquem sabendo das suas vidas. Há os que escutam música tão alto nos fones de ouvido que dá para surpreender o passageiro ao lado cantarolando junto.

Pois estava eu, ontem, em pé no vagão. À minha frente, sentado, um senhor com seus 50 anos mexia no celular. Jogava um jogo qualquer. Não entendi as regras, mas pela velocidade e concentração com que jogava algo me dizia que presenciava um momento especial. Algo próximo a um recorde mundial, ou coisa do tipo. Os dedos voavam pelo teclado, invisíveis de tão rápidos. Passava as fases com uma destreza que só se adquire à custa de horas diárias em trânsito. Olhei em volta. Os demais passageiros também acompanhavam a performance do senhor. Estivéssemos em um galeria de fliperama e teria formado um tumulto em frente à máquina, como nos filmes de cinema. 
A minha estação chegou, desci lamentando. O metrô nunca rende uma história completa. 

Monday, December 13, 2010

O carregamento fantasma


(uma história verídica, desenvolvida)

Três semanas foi quanto demorou. Dirão que faltou-me rigor quando da primeira avaliação. Que me precipitei. Insisto, porém, que o relato é justo e procedente. Foi uma fatídica noite de tempestade, com os raios cruzando o céu em fúria. Não poderia dizer que eram excessivamente ruidosos, ou que a noite era escura como nunca antes. São Paulo é barulhenta demais para que se escute; e iluminada demais para que não se enxergue. Mas eis que tudo mudou, e as características da cidade foram consumidas num átimo.

Shkazaaaaaam!!!!!!!!!!!!

Encontrava-me descendo a escada quando aconteceu. Parei de súbito, por reflexo e precaução. Nada mais se enxergava. Ouvia-se, porém (embora teria preferido que permanecesse o silêncio). No instante em que o bairro apagou, atingido pelo raio, da janela do apartamento partiu o ruído medonho de eletricidade se debatendo. Durou pouco. O bastante para garantir que se passaria a noite às escuras.
Com atraso, desliguei os eletrônicos da tomada.  O blecaute forçado terminou com as opções de estudo ou entretenimento, e havia muito pouco o que fazer àquelas horas da noite. Sendo assim, era natural que dormisse com alguma facilidade. O ritmo é outro sem energia (o que de modo algum é uma constatação negativa. Passado o lamento inercial, percebe-se como é saudável o retorno à idade da pedra).
No dia seguinte, o saldo da orgia elétrica: carregador do notebook queimado. Liguei o computador esperançoso, e o pensamento positivo pagou dividendos: sem avarias. Restavam 2 horas na bateria, e devo dizer que as usei com rigor sem paralelo. Email da Alinne Moraes? Ela tem meu celular. Pedido pessoal do governador? Vai ter que esperar.
Durante as semanas que se seguiram, o ritmo frenético do trabalho fez com que o tempo passasse e eu não tivesse oportunidade de resolver o problema. Garantia cobre raio? “Não, só se você acionar a concessionária”. Imaginei o trabalho de se acionar uma concessionária por tão pouco. Cotei o preço do carregador: 300 malandros. Como é caro! Liguei na Apple: não achei em nenhuma loja. A resposta deles, numa interpretação livre: “foda-se”.
Foi quando, com as esperanças se esvaindo feito palmeirense em fim de campeonato, um momento de desespero fez com que eu empreendesse a menos lógica das intervenções. Recordo-me do sentimento. Os pensamentos que me tomaram de assalto. O ingênuo otimismo com que resolvi fazer o que fiz. Segurei a peça queimada e a chacoalhei no ar. Duas ou três batidas de leve, seguidas de um olhar desafiador. Diria algumas palavras mágicas se as soubesse. Pronto. Liguei o carregador na tomada e aproximei o plug do notebook. A luz verde do carregador acesa foi para mim um momento de genuíno espanto. Não experimentaria surpresa maior desde a queda das torres gêmeas. O notebook em pleno processo de carregamento. E tem sido assim desde então. Testemunha diária do milagre elétrico.

Thursday, December 09, 2010

Pré-postagem


Tenho sido alvo de pré-ataques a respeito do futuro do meu time, terceiro colocado no Campeonato Brasileiro. Tudo porque o Corinthians vai ter que disputar a chamada “Pré-Libertadores˜. Mas, oras, que diabos é uma pré-Libertadores? Isso não existe. Aos secadores de plantão, um aviso: já estamos no torneio. Apenas teremos de cumprir a formalidade de enfrentar o time do Colômbia 3. É nóis de novo ano que vem. Correria.
Aproveitando o ensejo, o teor das mal-humoradas afrontas recém-lançadas contra o Timão fez com que eu pós-lembrasse de uma expressão análoga (e igualmente absurda) - desta vez referente às exibições nas salas de cinema. A “pré-estreia". Não é difícil ler no jornal: “O FILME X estreia nesta sexta, com pré-estreia quinta”. Pura contradição entre termos. Percebam pela análise deste singelo exemplo, caros anticorintianos, como é falacioso vosso argumento.
Vai Corinthians, rumo ao bi-mundial!

Esta postagem não seria tecnicamente viável sem a consulta às novas regras ortográficas sobre o emprego do hífen. Obrigado. Agradecimentos especiais também ao Iarley, nosso pseudoatacante. 

Sunday, December 05, 2010

Sem palavras


Certa vez comecei um conto de Natal, que ficou inacabado. Lembrei dele neste fim de ano e resolvi que era hora de terminá-lo. Não era especialmente bom, mas, para quem não sabe, a segunda visita a um texto antigo faz milagres. Sem contar que o prazer da edição é, para mim, muito mais saboroso que o da própria criação - que é sempre um tanto sofrida. Qual não foi a minha surpresa quando não encontrei a história em lugar algum. Nenhum dos computadores que usei nos últimos anos: o velho note CCE, o desktop de casa, o Macbook. Nada.
Considerei, por um breve momento, recomeçá-lo. Logo desisti. Um texto nunca sai igual, não importa que seja escrito pela mesma pessoa, que parta das mesmas premissas ou que conte a mesma história. Pode ficar parecido, mas mesmo essa garantia é frágil.  E se vai sair melhor ou pior, nunca se sabe. Especialmente porque a escolha das palavras nunca é a mesma. Depende do humor, da inspiração e de uma série de mecanismos desconhecidos que operam quando se vasculham as profundezas do subconsciente à procura da construção perfeita. Porque quando a gente vai pescar palavras nunca sabe qual vai morder a isca. Às vezes vêm umas bem xexelentas. Aquelas que a gente pega, olha e devolve. Mas vez por outra vem à tona uma palavra dourada. Ela chega se debatendo toda, dá trabalho. Mas se encaixa como se tivesse nascido para exibir-se naquela sentença. E é esse o segundo melhor momento de um escritor.
De qualquer forma, é melhor eu esquecer o tal conto. Hoje o mar não está para peixe.

Thursday, November 25, 2010

Sob nova direção


O resultado trimestral abaixo do esperado por parte do conglomerado Kiloucura não passou despercebido no mercado. Manobra arrojada articulada por dois grandes players ligados ao setor de restaurantes (o fundo de pensão Elite Mineira e a offshore Jardim Paulista) adquiriu participação majoritária no emprendimento sino-brasileiro. O novo grupo terá participação de mercado superior a 80% nos títulos de alimentação emitidos pela Secretaria de Planejamento. Julien Roger Aquarela, presidente do Restaurante Aquarela, ameaça submeter a aquisição ao CADE. "A compra do Kiloucura traz desequilíbrio ao mercado e inviabiliza os restaurantes de menor porte. Assim não dá, assim não pode". Na contramão do Ibovespa, as ações do Kiloucura (KILO4) dispararam nesta quarta com os primeiros rumores da formação de um mega-conglomerado.
Alheio à turbulência do noticiário econômico,o Kiloucura abriu as portas normalmente durante a semana. A casa passa por mudanças, e um novo chef foi contratado para assumir a cozinha. A promessa é de manutenção da política de preços, acompanhada de inovações no cardápio. Cartaz afixado na entrada promove para esta quinta-feira a estreia do "Gordon" Bleu - peito de frango recheado inspirado no personagem Flash Gordon.


For further references, Guia de Restaurantes

Thursday, November 18, 2010

Clichê pouco é bobagem


 Reencontro expresso.

- Olá meu caro! Quanto tempo... Como vai a força?
- Quanto tempo mesmo, nem me fale! Tamo correndo atrás, né.
- Faz bem. Não tá fácil pra ninguém, é ou não é?
- Ah, é verdade. Agora com a globalização tem que matar um leão por dia.
- Tem razão. E se não tá fácil pra gente, imagina pra classe média!
- Bom, eu preciso ir que amanhã começa tudo de novo. O tempo voa!
- Manda um abraço pra todo mundo.
- Claro que mando. Apareça qualquer dia!

Thursday, November 11, 2010

Repeat, please



Facebook, gastando o vocabulário na divulgação da ferramenta que localiza... amigos.


"Francisco, mais amigos estão esperando o seu convite. Esses 10 amigos encontraram amigos através do localizador de amigos. Você já encontrou todos os seus amigos? Experimente."


E logo abaixo, para completar, o botão "Localizar amigos˜.

Monday, November 08, 2010

Põe na conta


Porque futebol também é responsabilidade fiscal.

Na padoca


Comprando sorvete de massa, daqueles potes pequenos, na padaria perto de casa. Sou atendido no caixa pelo dono do estabelecimento.

- Quanto é o sorvete?
Não é a primeira vez que ele me pergunta o preço do que estou comprando. Dessa vez prefiro não me manifestar.
- Peraí, eu vou olhar. Esse sorvete é caro pra c***lho.
Que ótimo. Posso trocar?
- 12,80! É que hoje tinha um cliente tomando e na hora de pagar ele se assustou. Sabe, era um cara de posse até, mas se assustou.
Ah, tá.
- Eu acho muito caro, né. Porque por $15 você leva um de 1 litro. Tá bom que não é o mesmo sabor, mas é caro mesmo assim.

Paguei e fui embora, me sentindo o milionário constrangido.

Tuesday, November 02, 2010

Educação digital



Recentemente troquei de aparelho de som. O antigo mini-system substituído por um Home-Theather (cumpre as mesmas funções, e dá uma turbinada nas sessões de cinema). O impacto da troca, no entanto, não se resumiu à qualidade do som ou à versatilidade do aparelho. Depois de anos do familiar "GOOD BYE" no display do Aiwa, o Samsung novo despediu-se calado quando apertei o power. Surpreendente, porque tivéramos um começo promissor: um inédito "HELLO". Não entendi a economia. Custava cumprimentar na chegada e na saída? A pergunta me levou a outra: afinal, quem decide a etiqueta dos eletrônicos de uso doméstico? Fico pensando se a questão é resolvida em alguma reunião de criação, ou se é de tão pouca importância que o estagiário da fábrica programa o que quiser e o produto vai ao mercado de qualquer jeito - o que pode ser perigoso, abrindo espaço para  um "FUCK YOURSELF" na saída, ou um "HEIL" de boas vindas.
Também não gosto dos aparelhos que já chegam mandando um "WELCOME", ou "BEM-VINDO". Acho muito pretensioso. Parece que vão nos proporcionar uma experiência inesquecível. Pior só os celulares que deixam você escolher a própria saudação. É como se dissessem "Olha, não estou nem aí, não quero perder meu tempo pensando no que dizer. Escreve o que achar melhor". E assim nasceu a auto-saudação.

No vídeo, a pertinente "Hello, Goodbye" dos Beatles.

Friday, October 29, 2010

Drop shot


Sempre enxerguei o tênis como metáfora da vida, e talvez venha daí minha fascinação pelo esporte. As nuances técnicas e táticas do jogo, imperceptíveis ao leigo, só se comparam ao opressivo desafio psicológico que é um torneio de tênis. Um contra um, você e o adversário. Ninguém para culpar pelo fracasso; ninguém para dividir a glória. O esporte é o elogio do mérito levado ao extremo, e as modalidades individuais sua expressão máxima.
Mas, enfim, não quero me deter demasiado na descrição do tênis. Esta semana acompanhei dois dias de jogos da Copa Petrobras, no clube Harmonia, em São Paulo. Durante as disputas, e em meio à torcida na arquibancada, um golpe do jogo me chamou a atenção de um modo inusitado, que suscita paralelos com inúmeras situações da vida. O golpe é a deixadinha, ou drop shot. Um movimento ousado em que o tenista, ao invés de aplicar sua força máxima no golpe, apenas bloqueia a bola com a raquete e a faz cair mansa do lado da quadra do adversário. Pertinho da rede. Bem lenta. Hu-mi-lhan-te-men-te lenta. O golpe parece difcíl e arriscado – e é, na maior parte das vezes. O que chama atenção numa jogada dessas é a reação da plateia. A deixadinha, quando bem executada, surpreende. Admira. Vai-se ao delírio, exaltando o talento e a audácia do jogador. O erro, porém, invariavelmente é percebido na medida oposta. “Não era a hora!”. “Que burrice, era só empurrar na paralela”. “Pra que inventar? Quer fazer o que não sabe”. Fugir ao senso comum é arriscar-se em dobro, porque não há condescendência com quem escolhe ousar. Procurar destacar-se é estar pronto a pagar o preço pelo eventual fracasso. A mediocridade nutre uma estranha predileção por ser sociável. A genialidade, um providencial descrédito pela opinião alheia.

PS: para quem se interessar pelo assunto, recomendo o Blog do Paulo Cleto. Em especial este texto, da final do Aberto da Austrália 2009, que é primoroso.

http://colunistas.ig.com.br/paulocleto/2009/02/01/hoje-e-amanha/

Monday, October 25, 2010

Thursday, October 07, 2010

O Dilema da Portaria


Passar por uma portaria produz um dilema social/moral/filosófico de suma importância: cumprimentar ou não o porteiro?
A educação pede (alguns dirão, exige) um "bom dia", um "boa tarde". Mas e se fosse você o porteiro? Gostaria de cumprimentar toda e qualquer pessoa que passasse à sua frente? Porque são muitas ao longo do dia. Sempre ocupadas. Sempre indo a algum lugar. E o porteiro lá, parado. Cumprimentando e observando. É como se apenas a ele não fosse permitido ir além daquele ponto. Ninguém o convida. Ele é só isso: um ponto de passagem - e é esse o recado implícito em cada saudação apressada.

PS: Sou só eu ou toda portaria tem um quê de Caverna de Platão?

Sunday, October 03, 2010

Voto Consciente



Da empregada aqui de casa. Espero que ela não acesse o blog...

- Beltrana, pra quem você vai votar pra deputado?
- Ah, não sei ainda. Na hora eu vou pegar do chão.

Thursday, September 23, 2010

Guia de Cafés



Depois do sucesso do "Guia de Restaurantes", e a despeito dos pedidos em contrário, é hora de avaliar parte da rede de cafeterias que serve a região da Paulista.



GIRA MUNDO- Expresso de mais alto padrão na região. O grão é de qualidade, e a moagem aproveita-o em sua plenitude. A espuma em tom avelã denota a excelência internacional do café do Gira Mundo. O atendimento é rápido e as funcionárias se amontoam no balcão. Impossível precisar quantas pessoas trabalham lá dentro. A água com gás é cortesia, e o dono não miguela: tome antes, para melhor apreciar o café, e depois, para se livrar do sabor. O que é bom deve durar pouco.

STARBUCKS- Gigante do ramo, o Starbucks tem presença internacional somente comparável à do Gira Mundo. O expresso, em si, decepciona. Amargo, passa a impressão de que está contaminado com naftalina. A semelhança de sabor com a máquina da SEP desperta suspeitas a serem melhor investigadas. Testemunhas juram ter visto dezenas de máquinas iguais às da secretaria enfileiradas nos fundos da loja. O ponto alto da casa é o ambiente: as confortáveis poltronas e a iluminação em tom pastel convidam ao relaxamento.

MÁQUINA DA SEP- Maravilha moderna, o robô barista do Planejamento sempre provoca admiração nas visitas. Café igual para todos, sem distinção de cargo, salário ou vínculo empregatício. O menu de opções é vasto, e a máquina se dá ao luxo de esbanjar, disponibilizando um perigoso chá de limão (mortal para diabéticos). Segundo o fabricante, o assustador nível de ruídos impediu a popularização da máquina, restringindo a distribuição do modelo a aeroportos, casas noturnas e Secretarias de Estado.

EMPADAS DA VOVÓ- O forte da casa são as empadas, mas o café é de boa qualidade e o preço é honesto. Em entrevista ao blog, a Vovó garantiu que dará mais atenção aos apreciadores de um bom expresso, e não será surpresa se a Casa passar a adotar o nome “Empadas e Expresso da Vovó” ou, ainda, “Empadas Expressas da Vovó” (que sempre ri do trocadilho).

KILOUCURA CAFÉ&LOUNGE- Lounge temático do aclamado restaurante Kiloucura, a decoração é inspirada no primeiro Starbucks Saigon, aberto durante a Guerra do Vietnã. Mesas e cadeiras de plástico duro, em sintonia com a fachada em amarelo e vermelho, transportam o cliente para o clima de guerra em território asiático. Os grãos torrados com alto índice de impurezas resultam em uma exótica mistura que remete ao café. Ecologicamente correto, nada é desperdiçado: sobras do restaurante são incorporadas no processo de moagem.

Tuesday, September 21, 2010

In the book - III




Mais um trecho publicado aqui. O último... E o meu predileto, aliás. Trata-se da carta que um dos personagens envia à mãe, depois de 20 anos de ausência - e que finaliza o capítulo 2.



"Cara mãe,

Desculpe-nos, a mim e a Antonieta, do longo tempo que estivemos sem lhe dar notícias. A senhora, porém, haverá de entender que o estilo de vida o qual forçosamente abraçamos nos impede que a visitemos, bem como nos constrange de manter contato freqüente enquanto não pudermos dar termo resolutivo ao mal que nos aflige.
Desde já, peço-lhe que não se assuste com o recebimento desta carta. Esteja certa de que se a contatamos depois de prolongado recesso, não o faríamos senão para comunicar-lhe boas novas – e pedir que nos auxilie a dar cabo nesta maldição a qual com freqüência nos referimos.
Estivemos, como bem sabe, a peregrinar por todo canto do mundo em busca de nosso propósito. Inicialmente era a cura que procurávamos, mas devo confessar que a escassez de informações (e o teor negativo do pouco que nos chegou) fez com que desviássemos lentamente o foco de nossas andanças. A vida em trânsito passou a acobertar os crimes hediondos que a sanha por sangue nos impôs. O rastro tenebroso de nossa passagem encheu de pânico as comunidades das quais no servimos, embora pareça claro que de modo algum tenham atinado para a verdadeira natureza de nossa condição.
A sucessão de noites em claro e dias em trevas (não faço gosto em alongar-me na descrição do que se supõe perpétuo) solidificaram em nós uma firme predisposição para a conduta vil, egoísta e inconseqüente, de modo que já nos conformávamos da nossa sorte quando casualmente encontramos nosso malfeitor.
O vampiro não nos reconheceu de imediato, apenas sabia que estava entre iguais. Foi preciso que nos apresentássemos para que enxergasse em nós o produto de uma noite fatídica em que se aproveitara da embriaguez alheia para discorrer acerca das maravilhas da eternidade. Não houve - respondo por mim, mas creio que Antonieta compartilhe do mesmo sentimento – desejo de vingança ou acerto de contas. Queríamos respostas, e não poderia haver sujeito mais capaz de fornecê-las que o nosso criador.
Entre um e outro gole do néctar que alimenta o sobre-humano vigor vampiresco, cortesia de nosso cúmplice (a vergonha faz com que prefira poupá-la das circunstâncias desta pequena reunião), surpreendeu-nos duas vezes. Primeiro dizendo haver fundamento em nossa vontade, pormenorizando o método segundo o qual deveríamos proceder. E por último, talvez resida aqui o espantamento maior uma vez que a conduta anterior é relativamente simples, revelou a mim e à minha esposa o local onde poderíamos confrontar a origem de nossa condenação.
Espero, minha mãe, poder contar com o seu auxílio. Voltaremos a Serrópolis tão logo possível. Antecipo que não retornaremos sozinhos. A tarefa que nos foi imposta carece do auxílio de nosso instrutor. Naturalmente não pretende ajudar gratuitamente, e neste ponto se faz necessária a colaboração da senhora. É provável que ainda agora esteja a caminho, como nosso enviado, preparando a nossa chegada. Procurará pela senhora, com a intenção de adquirir a residência da família. Peço-lhe que ceda, a despeito do inconveniente da mudança.Explicarei devidamente os motivos na ocasião adequada.
A propósito, nosso criador, o vampiro que irá procurá-la, atende pelo nome de Ludovico.


Ávido pela mortalidade,
Eliseo Pereira Inácio"

Thursday, September 16, 2010

Cadê o shoyu?


Hoje, no restaurante Kiloucura:

- Vocês tem shoyu?
- Oi? - funcionário novo, surpreendido pela pergunta.
- Shoyu. Costuma ficar ali em cima - aponta para o balcão.
- Não vi ele hoje, não.
- Será que ele não está nos fundos?
- Vou ver.

Voltou logo depois. Imagino a conversa na cozinha.

- O Shoyu veio hoje? Estão perguntando por ele no salão.
- Hoje não. Mas leva esse vidrinho lá pro freguês que ele vai ficar satisfeito.

Wednesday, September 15, 2010

A onda espírita e o sexto sentido



 O Espiritismo parece estar na moda, pelo menos nas telonas nacionais. Depois do sucesso de “Chico Xavier”, é a vez de “Nosso Lar”, baseado no livro homônimo atribuído ao espírito André Luiz. Não assisti “Nosso Lar”, mas posso avaliar “Chico Xavier”: o filme é médium. O cinema americano vira e mexe explora a mesma temática, embora não me lembre de que tenham recorrido à doutrina kardecista. Preferem abordá-la em filmes de terror, ou na roupagem blockbuster.
Por coincidência, este final de semana assisti “O Sexto Sentido” na TV. Não sou exatamente um estudioso do Espiritismo, longe disso - embora tenha tido, eu próprio, uma experiência possivelmente atribuível ao sobrenatural extra-corpóreo (recorde de comentários no blog: Encontro em Família). Existe, porém, um ponto que me intriga pela inverossimilhança, justamente o tema central do filme gringo: trata-se do espírito que morreu, mas não sabe que está morto.
Ora, que tipo de espírito pode ser estúpido a ponto de não perceber que desencarnou? E quanto tempo pode durar uma confusão dessa natureza? Porque no filme o personagem do Bruce Willys passa toda a trama vagando em ignorância. Posso conceber que, logo em seguida à desencarnação, possa haver uma confusão inicial: “Morri? Vou perguntar na rua. Estão me ignorando, droga. Vou pegar o carro e perguntar em casa, lá não vão mentir pra mim. Droga, minha mão não consegue segurar a maçaneta. Puxa, entrei no carro mesmo assim. Tem algo de muito suspeito acontecendo ao meu redor. E agora? Como vou descobrir se estou morto?”. Não cola. Persistir nesse tipo de dúvida por mais de 5 minutos parece caso de alma sem salvação.

Friday, September 03, 2010

in the book - II



(Trecho do livro em produção)

Preocupada como estava, demorou para que enfim dormisse. A má sorte daquele dia fez com que o sono tão custoso fosse interrompido no meio da noite, quando as velas no altar da sala já há muito haviam sido consumidas. A octogenária era dona de um sono bastante leve, e o ruído seco do que julgou serem batidas na porta da frente do sobrado foram suficientes para despertá-la. Logo constatou que a energia não tinha retornado, o que fez com que se sentasse ao lado do criado-mudo em busca do pires e das velas que ali guardava por precaução. Vestiu-se rápido, apenas o robe branco por cima da camisola de seda, e desceu as escadas com cuidado, degrau por degrau. Uma mão à frente, segurando o pires com a vela em cima, a outra se escorando no corrimão. O final da escadaria dava direto na porta da frente, que abriu sem medo nem cerimônia. Esticou o pescoço para fora. Tinha esfriado, apertou o robe contra o corpo. Olhou para os dois lados mas nem sinal de quem batera. Retomou o rumo do quarto, desconfiando dos sentidos que, a exemplo da memória, vira e mexe lhe pregavam peças. O esforço fez com que chegasse ofegante, mas a falta de ar foi saciada pela lufada de vento que soprou da janela escancarada. Inezita não se recordava de tê-la deixado aberta, e nesse ponto não temia que fosse traída pela memória, posto que não havia chances de que tivesse conseguido dormir com aquele vento cortante a perturbá-la. Enquanto se dirigia à janela, um pressentimento ruim a tomou por inteiro, de tal modo que de imediato manifestava-se fisicamente. O coração batia acelerado, a respiração se fazia pesada. Uma vertigem súbita fez com que se detivesse por um instante. Escutou as batidas de novo, iguais as que a tinham despertado, agora na porta do seu aposento. A chama da vela não podia alcançar aquele espectro indistinto do qual só se podiam distinguir os contornos, entretanto não poderia alegar que não fizesse idéia de quem era. Pôde ver quando estendeu a mão em sua direção. O tiro, certeiro, no coração, não viu.

Thursday, September 02, 2010

Mesa Redonda


Moderador: Eles são candidatos a Deputado Federal e a Presidente por partidos diferentes. Tem trajetórias distintas, e idéias idem. Conhecidos há muitos anos pela população, os dois sequer concorrem ao mesmo cargo. Por isso mesmo, com o objetivo de enriquecer o debate político sem acirrar disputas pessoais, a Produção do Blog promove a Mesa Redonda de hoje com os candidatos José Serra e Tiririca!

Platéia: (aplausos)

M: Obrigado aos dois pela presença.

José Serra: É uma honra.

Tiririca: É nóis.

M: Para começar, vamos sortear o assunto aqui na urna. Nossa secretária, a Mulher-Pêra, está sorteando. Já sorteou! (aplausos). Vem pra cá, Mulher-Pêra, me entrega esse papel. Isso, volta pra lá agora, bem devagar. Vamos seguir, então. O assunto é... (voz tenebrosa) Planejamento.

Platéia: Uuuuuuuuuuhhh

M: Candidato Tiririca, qual a sua proposta para o Planejamento? Sob o prisma de um candidato à Câmara, devo lembrá-lo.

T: Planejamento pra mim é saber montar um programa...

JS: (baixo, para a sua equipe) Ele vai falar sobre programa de TV, quer ver?

M: Programa, Tiririca?

T: É isso mesmo (ajeita o chapéu e prossegue, falando engraçado). O PPA, instrumento constitucional do Planejamento, é estruturado em programas, vocês sabem. O problema é que a ingerência política impede que as Secretarias organizem seus programas, e suas respectivas ações, de um modo eficiente e racional. É impossível implantar a gestão por resultados do modo como é feito hoje pelos Estados, sem um instrumento estratégico dotado de indicadores de desempenho e de efetividade bem definidos. Como deputado, farei um PLC que estabeleça regras claras para o PPA, e acabe com essa distorção. Atualmente é muito difícil definir se o PPA é uma peça de gestão estratégica ou uma mera lei orçamentária.

M: É...bom... Por essa eu não esperava. Candidato Serra, o senhor, como ex-governador, o que pensa dessas críticas?

JS: O PPA, Programa Plurianual.

T: Sim.

M: À vontade, candidato.

JS: Elaborado de 4 em 4 anos.

M: O senhor tem 3 minutos.

JS: Já terminei.

M: É, bom... Acho melhor mudarmos de assunto. A Mulher-Pêra tá vindo com o papelzinho aqui.

Mulher-Pêra: Esse assunto afeta muitas pessoas, como eu e você espectador.

JS: Como a Mulher-Pêra.

M: O tema é... Gestão Pública!

T: Essa eu domino.

M: Então vai você, Tiririca. Como melhorar a gestão no setor público?

T: Essa é fácil. (Começa a balançar os braços enquanto prossegue, como se estivesse dançando). Funcionários de carreira, motivados e bem remunerados. Reduzir os comissionados e desaparelhar o Estado.

M: Olha, Tiririca, até que faz sentido o que você falou.

T: Eu sou palhaço mas não sou tonto.

M: Vou aproveitar o gancho. Candidato Serra, o que o senhor fez e pode fazer para avançar nesse caminho apontado pelo Candidato Tiririca?

JS: Florentina, Florentina...

M: Candidato Serra?

JS: (Cantarolando) 45,45...

Produção: Corta! Corta!

M: É.... Vamos ficando por aqui... alguma última palavra?

JS: Vota em mim, abestado! Senão eu vou morreeeeeeeer politicamente.

(Nota do Autor: Obviamente, o encontro é fictício e tal mesa redonda nunca aconteceu. O conteúdo da conversa é ficcional e tem fim apenas humorístico)